Economia

Confiança dos comerciantes paranaenses tem menor índice desde 2011

Índice caiu 27,8% de maio para junho; em PG representantes do setor atribuem resultado à restrição do atendimento
(Foto: Arquivo DC)

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), teve uma queda brusca em junho. O indicador baixou de 97,3 pontos em maio para 70,2 pontos neste mês, o que corresponde a uma diminuição de 27,8% na comparação com maio e retração de 43,7% quando comparado ao mesmo período de 2019.

Desde o início da pandemia o ICEC começou a cair no Paraná e no país e em maio ficou abaixo dos 100 pontos, mostrando o pessimismo entre os empresários do varejo. O índice de junho é o menor da série histórica da pesquisa, iniciada em março de 2011. Na média nacional, o indicador ficou ainda mais baixo do que no Paraná, com 66,7 pontos e variação mensal negativa de 28,6%.

Ponta Grossa

Em Ponta Grossa, para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas) local, José Loureiro, essa baixa se deve às restrições do horário de atendimento. “Como as lojas não estão trabalhando em tempo integral o cliente muitas vezes não consegue chegar a tempo”, aponta ele.

A sugestão citada pelo representante do setor é ampliar das atuais 6 horas por dia para 9, com a justificativa de que isso “espalharia” os consumidores ao decorrer do dia e permitiria uma ampliação de vendas. “Nossa sugestão é permitir que determinada classe abra das 9 às 18 horas e outra das 10 às 19 horas, para não aglomerar os funcionários no transporte público também”, opina o Sindilojas.

A Associação Comercial, Industrial e Empresarial (ACIPG) também segue esta linha de pensamento. “Não vemos o comércio como um meio propagador do vírus. Tem muito mais em mercados, praças e ruas do que nas lojas que seguem os procedimentos”, destaca o gerente institucional da entidade, Gilmar Denck.

“Nunca tivemos algo parecido. O empresariado tem muitas crenças: os que preferem acreditar que estamos chegando ao fim, gente com muito medo… Muitos estão há dois meses sem faturamento com com ele lá embaixo; o shopping, por exemplo, abriu, mas as vendas não reagem. Há a preocupação sobre a migração para as plataformas digitais, pois tem quem acredite que é uma tendência sem volta, e mesmo com retorno do comércio não acredita-se em uma recuperação tão rápida”, avalia Denck.

Outros dados da pesquisa

A maior parte (85,5% ) dos empresários ouvidos considera que as condições atuais do setor comercial se agravaram. Diante da situação, 79,4% dos entrevistados relatam que as condições presentes de suas empresas pioraram. Por outro lado, 43,1% sinalizam uma expectativa positiva para a economia brasileira e, principalmente, com relação ao futuro de sua empresa, com 58,7% de respostas otimistas. O indicador Expectativas do Empresário do Comércio (IEEC) ficou em 96,8 pontos, com redução mensal de 22,0% e queda de 39,6% ante junho do ano passado. Para 70,4% dos empresários, a expectativa é reduzir o quadro de funcionários.