Economia

Contrariando expectativas, endividamento cai no Paraná

Redução no consumo, facilitação de crédito e políticas de renegociação contribuem para redução das dívidas. No entanto, famílias de maior renda já enfrentam dificuldades em quitar seus débitos

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), mostra redução no percentual de famílias endividadas no Paraná no mês de maio. Segundo a pesquisa, 89,57% dos paranaenses possuem algum tipo de dívida, ante os 90,02% registrados no mês passado.

O endividamento da população do Estado segue a tendência nacional, que também apresentou queda na variação mensal, passando de 66,60% em abril para 66,47% em maio.

De acordo com o Departamento de Pesquisas da Fecomércio PR, os dados deste mês contrariam a tendência de maior endividamento das famílias por causa da pandemia de Covid-19. As possíveis causas para a redução do endividamento estão nas políticas econômicas do governo para amenização da crise provocada pelo coronavírus, com ampliação da oferta de crédito e redução dos juros, além da renegociação das dívidas com prorrogação de prazos de pagamento. Outro ponto a considerar, é a diminuição do consumo nestes primeiros meses do distanciamento social, o que, inicialmente, reflete em uma redução do endividamento. Porém, o agravamento da crise provocada pela pandemia, com demissões, redução salarial e o fechamento de empresas, pode ocasionar a elevação do endividamento daqui para a frente.

Condições de pagamento das dívidas

A parcela de famílias com contas em atraso permanece estável em maio e corresponde a 25,59% dos endividados. No entanto, entre as famílias que ganham mais de dez salários mínimos houve aumento considerável nas contas em atraso. O percentual quase dobrou, passando de 9,49% em abril para 15,92% neste mês. Já entre as famílias que ganham até dez salários mínimos, ocorreu diminuição nas contas atrasadas, que correspondiam a 28,86% no mês passado e baixaram para 27,48% em maio.

Apesar da queda no endividamento de modo geral, a parcela de famílias que não terão condições de pagar contas em atraso cresceu em maio, tanto no Paraná como no Brasil. No Estado, 11,06% dos endividados reconhecem que não terão condições de saldar seus débitos, ante 10,26% em abril. No cenário nacional, as famílias que não conseguirão pagar suas dívidas passaram de 9,91% em abril para 10,57% neste mês.

No aspecto solvência, novamente as famílias que ganham mais de dez salários mínimos demonstram estar com maior dificuldade. Em maio, 7,64% afirmavam que não conseguirão saldar suas dívidas. Isso corresponde a um salto de 76,39% em um único mês na comparação com a média dos últimos doze meses da parcela de famílias que não terão condições de pagar suas contas.

Tipo de dívida

A utilização do cartão de crédito baixou de 73,67% em abril para 72,66% neste mês, mas este continua sendo o principal tipo de dívida dos paranaenses. Nas famílias que ganham até dez salários mínimos houve queda neste tipo de dívida, que passou de 72,99% para 70,09% na variação mensal. Já entre as classes A e B, pelo contrário, as dívidas no cartão de crédito subiram de 76,82% para 84,67%.

Tempo de pagamento em atraso e inadimplência

O tempo médio de atraso no pagamento das dívidas subiu de 62 dias para 63 dias no Paraná, sendo que a inadimplência, que é o atraso superior a 90 dias, cresceu. Dentre as famílias com contas em atraso, 47,14% estão inadimplentes. Em abril eram 46,58%.

O grande salto na inadimplência ocorreu entre as famílias de maior renda. Nestas, o atraso acima de 90 dias no pagamento das contas passou de 20,00% no mês passado para 48,00% em maio. Já entre as famílias com renda até dez salários mínimos ocorreu o movimento contrário: a inadimplência saiu de 52,26% em abril para 46,96% em maio.