Cinema

Cooperativa lança trio de documentários sobre os Campos Gerais

‘Identidade’, produzido pela Cooperativa Cinema & Mídias Digitais, promove resgate histórico, cultural e de identidade do Paraná.

A Cooperativa Cinema & Mídias Digitais está apresentando nos Campos Gerais o resultado de um trabalho de 15 anos de estudos, coleta de imagens e depoimentos. ‘Identidade’ é uma série de três documentários bilíngues, de 53 minutos cada, com temáticas da história da região. O primeiro, ‘Tropeiro: @alma sem fronteiras’, o segundo ‘O Brasil de Saint Hilaire’ e o terceiro ‘Dança de São Gonçalo’, são homenagens aos Campos Gerais e uma forma de contribuir com a valorização da cultura do estado.

“O objetivo é mostrar o próprio estado do Paraná ao paranaense e fazer com que ele ame e valorize a cultura do estado”, destaca o cineasta Homero Camargo. Ele conta que o material está sendo distribuído em diversos locais, principalmente nas escolas, difundindo a história e tradição dos Campos Gerais. Camargo destaca ainda que a ideia é produzir documentários sobre todas as regiões do Paraná e a próxima será o litoral.

A realização é da cooperativa com apoio do Governo Federal, Copel, secretaria da cultura do Paraná através do Profice. A Cooperativa Cinema & Mídias Digitais atua no Paraná há 20 anos e já lançou diversos trabalhos de destaque. Entre eles, o curta-metragem ‘A Frente Fria que a Chuva Traz’, estrelado por atores brasileiros de sucesso como Bruna Linzmeyer, Johnny Massaro e Chay Suede.

 

Conheça o roteiro de cada um dos documentários:

 

TROPEIRO: @LMA SEM FRONTEIRA

O tropeirismo como movimento iniciador de uma importante trajetória que desembocou em outras vias, como a ferrovia, a rodovia e, mais recentemente, a infovia. É nessa linha narrativa que foi estruturado o documentário. Na verdade, ao falar dessas outras vias, o trabalho tenta demonstrar que o instinto desbravador do homem tropeiro perdura. O filme foi totalmente realizado na região dos Campos Gerais, tendo como base a cidade de Tibagi e o Canyon de Guartelá, entre setembro e outubro de 2002. A produção conseguiu reunir cerca de 17 horas de depoimentos e imagens relacionadas ao tropeirismo e aos demais temas, com depoimentos históricos de ex-tropeiros. “Trata-se de um material importantíssimo para preservação da memória do tropeirismo e da nossa história”. O roteiro do documentário traz imagens sobrepostas em três camadas sempre em movimento e experimenta uma linguagem contemporânea para retratar a cronologia dos temas, utilizando ícones tecnológicos. As informações são trabalhadas com depoimentos, iconografias, fotos e cenas de reconstituição de época para representação de personagens e contextualização histórica. Além disso, a trilha sonora foi totalmente composta, tema a tema, por violeiros, a partir de um estudo da música de raiz.

 

O BRASIL DE SAINT HILAIRE: CAMPOS GERAIS DO PARANÁ

Século XXI: Uma equipe de reportagem é pautada para fechar um caderno especial sobre a passagem do botânico francês Auguste de Saint Hilaire e suas viagens pelo Paraná. Primeira metade do século XIX, Auguste de Saint Hilaire percorre os Campos Gerais do Paraná numa tarefa de pesquisa e registro das diversas espécies da flora brasileira. Esses dois tempos – presente e passado – se entrecruzam na narrativa do documentário. O filme resgata os relatos de viagem de Saint Hilaire em que ficam descritas suas impressões dos modos de ser e agir dos habitantes daquela época em terras que chamou de “paraíso terrestre do Brasil”. Ao utilizar os dois tempos, passado (com a comitiva de Saint Hilaire) e presente (com a equipe de reportagem), a narrativa propicia o reconhecimento de fatos históricos mesclados com críticas à realidade ambiental de hoje. As fazendas centenárias e os poucos campos ainda nativos formam o cenário e remontam os principais caminhos por onde passou o botânico, emprestando ao filme também um grande valor estético. Saint Hilaire foi um visionário, que reconheceu a região dos Campos Gerais como uma das mais importantes e promissoras do Paraná. Seus registros foram fundamentais e colaboram até hoje para a compreensão dos processos de formação da identidade regional. Adepto da botânica romântica, precursora da ecologia, ele representou uma época singular encerrada para sempre.

 

 A DANÇA DE SÃO GONÇALO

Remexer na cultura popular significa encontrar momentos e personagens reais fascinantes. De muito tempo e em várias regiões brasileiras há os seguidores de São Gonçalo, santo português, que promovia música e danças para aproximar os tidos como ‘excluídos’. Depois de anos observando comunidades regionais do Paraná, como Ventania, e realizando outros trabalhos audiovisuais de resgate histórico e cultural, percebemos que as romarias, que avançam madrugada adentro, são bastante fortes. Os envolvidos pedem bençãos, pagam promessas, fazem oferendas ao santo, dançam e cantam por horas a fio, em filas emparelhadas de casais. O ritual faz parte do imaginário dos mais velhos aos mais jovens. Este documentário tem como olhar o resgate e a preservação desta importante manifestação da cultura popular, conhecida como Dança de São Gonçalo, realizada há mais de um século e Ventania e região dos Campos Gerais do Paraná. As cavalgadas fazem parte do universo destas comunidades e, por isso mesmo, neste trabalho ela será mais que uma ferramenta narrativa, ela é apresentada como uma forma de manter a dança de São Gonçalo viva. Assim, a câmera percorreu durante vários momentos, estradas e romarias, histórias e causos, promessas e conquistas, contando com a participação de uma gente simples e forte ao mesmo tempo. É isso que o documentou experimentou fazer e imprimir.  

 

 

Equipe da cooperativa:

Proposta e produção: Silvana Fontana e Homero Camargo

Assistência de Produção, Arte e Relações Públicas: Marylena Bukowski (Buko)

Arte, Montagem e Design: Frank de Castro

Arte: Clayton Ramos – Arte: Saymon Taylor

 

Confira um dos documentários do projeto Identidade: