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Crise e oportunidades provocam crescimento na abertura de MEIs durante a pandemia em Ponta Grossa

Assim como em todos os momentos de crise, a pandemia do novo coronavírus gerou prejuízo para algumas pessoas e oportunidades de negócio para outras – e isso, somado à prática da “pejotização” que vinha sendo adotada desde a reforma trabalhista, resultou em um aumento da formalização de microempreendedores individuais (MEIs) em Ponta Grossa. De 31 de março a 31 de julho, ou seja, durante a pandemia, 1.790 novos MEIs foram abertos na cidade, total 10% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Os dados são da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim), repassados ao Diário dos Campos pela coordenadora da Sala do Empreendedor de Ponta Grossa, Tônia Mansani. A gestora do órgão voltado ao atendimento destes empresários destaca que os motivos para este aumento são diversos, alguns ligados à pandemia e outros não.

“Durante a pandemia houve a extinção de empregos. Além disso, empresas também viram no MEI a possibilidade de diminuir a sua carga tributária, contratando aqueles que antes eram funcionários agora como terceirizados”, destaca Tônia, lembrando da prática chamada de pejotização – quando uma vaga de emprego que antes era ocupada por um trabalhador com carteira assinada passa a ter um MEI na forma de prestador de serviço.

“Muitas pessoas viram oportunidades de mercado, e sendo uma empresa rápida e fácil abriram o MEI. Houve casos em que pediram o alvará de MEI para poder emitir nota; a confecção de máscaras foi um exemplo que surgiu durante a pandemia, além de outras coisas que foram identificadas como oportunidades neste período”, relata a coordenadora, lembrando que é possível ter um emprego com carteira assinada e abrir uma microempresa individual (MEI) ao mesmo tempo.

Outro motivo para o crescimento da modalidade citado por Tônia é o baixo risco deste tipo de formalização. “O MEI é uma forma simplificada e sem custo. Muitos abrem para ver se o negócio dá certo e só depois migrar para microempresa (ME), que precisa de contador e tem outras taxas, como de abertura e de baixa – e o MEI não ter esses custos é o seu principal benefício, pois se der errado para fechar não tem que pagar nada”, ressalta a gestora do órgão municipal.

 

Pequenos negócios

Comparando o MEI aos outros portes de pequenos negócios – microempresa (ME) e empresa de pequeno porte (EPP) – percebe-se um crescimento apenas na modalidade individual em Ponta Grossa. De 31 a março a 31 de julho foram 1.790 novos MEIs, 10% a mais do que no ano passado, contra 585 novas MEs (-29%) e 32 EPPs (-40,7%).

Com isso, a participação de cada porte dentro do total de novos pequenos negócios durante a pandemia também se modificou: enquanto que de abril a julho de 2019 os MEIs eram 64,9% das novas pequenas empresas, as MEs era 33% e as EPPs 2,1%. Já neste ano a representatividade dos MEIs aumentou para 74,4% e as das MEs e EPPs diminuíram para 24,3% e 1,3%, respectivamente.

 

Casos reais com motivos diversos

Para Luiz Fernando de Pontes a criação do seu MEI veio de uma vontade própria e identificação de oportunidade. “Antes eu trabalhava com fibra óptica em uma empresa com carteira assinada. Saí do meu emprego com a ideia de montar um negócio e achei a oportunidade na área de loja agropecuária porque este setor está em alta. Todo mundo tem cachorro e o pessoal gasta com isso; muita gente deixa de comprar produtos para si para comprar para o cachorro. É um segmento essencial”, conta ele, que abriu uma loja agropecuária na semana passada na região Santa Mônica. “Fazia tempo que eu queria abrir um negócio próprio por não ter aquele perigo de ser mandado embora. Nele é você que corre atrás, no dia a dia”, justifica o empreendedor.

Já no caso de Antonio Alex a sua formalização como MEI não foi uma escolha totalmente própria. O montador de móveis trabalhava em uma grande empresa de eletrodomésticos com unidade na cidade e afirma que o pedido veio da empresa. “Inicialmente eu comecei com carteira assinada. Há uns três ou quatro anos a nossa equipe foi terceirizada a partir de outra empresa e agora pediram que abríssemos MEIs para contratar desta forma”, afirma o profissional que atua no ramo há cerca de seis anos e em junho se transformou em MEI.

Luiz Fernando de Pontes já sonhava em ter um negócio próprio e na semana passada abriu a sua loja agropecuária (Foto: José Aldinan)

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