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Dia dos Pais: A importância da figura paterna no desenvolvimento das crianças

A especialista em neuropsicologia, Lílian Gomes, aponta questões a respeito da criação, responsabilidades e deveres dos pais. Confira a entrevista!

O Dia dos Pais será celebrado neste domingo em todo o Brasil e, além das demonstrações de afeto, presentes e comemorações, a data pode ser um momento de reflexão sobre a figura paterna na criação dos filhos. Hoje em dia têm se falado muito a respeito da maternidade, de uma nova geração de mães que revolucionou alguns comportamentos e ideias a respeito da concepção, gestação e criação dos filhos. Fala-se muito também sobre amamentação, da livre demanda, culpa materna, entre muitas outras questões. No entanto, em comparação, fala-se pouco sobre a responsabilidade paterna na criação, escolhas e decisões em relação aos filhos.

Convidamos a especialista em neuropsicologia Lílian Yara de Oliveira Gomes para falar sobre a importância da figura paterna no desenvolvimento das crianças. De acordo com ela, historicamente, a cultura atribuiu à mulher todas as responsabilidades quanto à criação de seus filhos. “Ainda hoje o papel paterno não está claro, porque se tem a ideia de que às mães - apesar de muitas vezes acumularem seus papeis de profissionais, donas de casa e mães - ainda cabe esse último somente a elas. Filhos são de ambos, não se pode mais fixar as decisões, escolhas e responsabilidades somente nas mães. Os pais devem participar, acompanhar o desenvolvimento de seus filhos e cooperar na educação, conhecer as etapas do desenvolvimento infantil, colaborar com a vida escolar de seus filhos e demonstrar afeto em comunhão com as mães”, destaca.

Abaixo, Lílian esclarece mais algumas questões a respeito do tema. Confira!

 

Ambiente seguro

É importante que os pais propiciem um desenvolvimento positivo, seguro para os filhos, para que os mesmos desenvolvam autonomia e segurança para saber lidar com a diversidade de situações que a vida possa apresentar. É importante que os filhos possam se desenvolver num ambiente em que haja presença, apoio e proteção. Filhos, fazem ‘espelho’, ‘modelo’ e, portanto, o pai deve dar segurança, gerar confiança e independência. O modelo masculino é fundamental para o desenvolvimento saudável na formação da identidade dos meninos e das meninas.

 

Criação de vínculos

Esse processo é construído através do ‘desejo do pai’, desde o momento em que a criança é concebida. O acompanhamento da gestação, auxiliar nas tarefas relativas à amamentação, ajudar no banho, cuidar para que a mãe tenha um tempo para ela, assumir as tarefas domésticas quando a mãe trabalha fora, enfim, compartilhar.

 

E no caso de novas constituições familiares?

Diversos autores da psicologia colocam que a ausência da figura masculina pode produzir conflitos no desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança e, por consequência, acarretar distúrbios de comportamento. Porém, não podemos esquecer das novas constituições familiares, nas quais não necessariamente serão casais heterossexuais e os filhos desses casais poderão se desenvolver de forma adequada e sadia, fazendo todas as etapas do desenvolvimento de maneira satisfatória, sentindo-se amados e recebendo todo o afeto e cuidado a que têm direito. Outro fator a ser considerado, é quanto aos novos modelos familiares quando filhos de pais separados passam a conviver com outra família, que não a sua de origem, por exemplo. Isso exige preparação e diálogo aberto acerca do papel de cada um nesse contexto.

 

Papel do pai

Hoje em dia o papel da paternidade já ultrapassa aquela visão estereotipada do ‘pai provedor’ e que os cuidados dos filhos devem ser de exclusividade da mãe. Atualmente encontramos pais que vivem com seus filhos sozinhos, que atendem e cuidam das tarefas da casa enquanto a mãe trabalha fora; há também pais que moram longe dos filhos e nem por isso os filhos sofrem por imaginar que o pai pode tê-los abandonado; também há pais numa relação homossexual, que dão tanto afeto e cuidado quanto em qualquer outra constituição familiar.

 

Ausência

Um pai ausente - ou quem representa esse papel - pode acarretar falhas no desenvolvimento infantil, como insegurança, medos, fobias, transtornos alimentares, isolamento, ansiedade, depressão e síndromes das mais variadas. A figura paterna é fundamental para o desenvolvimento infantil. Muitas vezes ocorre a separação, morte ou abandono. Nesse caso, outro elemento da família deverá fazer esse papel: acolhendo, dando afeto e colocando limites.

 

Atividades e brincadeiras em conjunto

É bom ter atividades e brincadeiras saudáveis, promovendo uma maior aproximação física e pessoal, já que vivemos em uma época em que o diálogo está cada vez mais escasso e o mundo virtual prevalece. Vemos famílias que mesmo estando na mesma casa não se veem, só se comunicam pelo mundo virtual; crianças de 3 anos já com celular na mão. É importante ter momentos juntos.