E surgiu em Carambeí a primeira cooperativa

Windson Shwartz

 

Aproximando-se o fim do contrato pelo qual se tornarão proprietários dos bens acumulados em 10 anos, pagos com produtos agropecuários para alimentar os trabalhadores na construção da Estrada de Ferro São Paulo Rio Grande, os holandeses em Carambeí constituem a empresa De Geus e & Cia., no início de 1925. E passam a vender o queijo também na cidade de São Paulo, representados pela firma do cônsul holandês, o sr. Berkhout.

E por sugestão do cônsul, o queijo recebe a marca Batavo, referência a uma tribo germano que, no inicio da era Cristã, habitava o delta do rio Reno, nos países baixos, origem dos holandeses em Carambeí. 

Logo, em 1º de julho de 1925, De Geus & Cia. é sucedida pela Sociedade Cooperativa Holandesa Batavo, supostamente a primeira cooperativa no Paraná, inspirada na experiência que Gerrit Los, um dos fundadores, tivera na Holanda. São 14 sócios. Empréstimo de 12 contos de réis concedido pelo fazendeiro Juca Pedro permite a construção de uma nova fábrica de queijo. Nos próximos anos a  Cooperativa tem “altos baixos” e  atinge o equilíbrio.

Morre em 1929 Art Jan de Geus, que havia chegado em 1913, trazendo capital que permitiu financiar a compra de 100 vacas para os novos colonos. Em 1930 o Brasil é atingido pela depressão mundial, causada pela quebra da Bolsa de Nova York. Agravante; sucedem-se no país as revoluções de 30 e 32, que fecham a divisa com São Paulo, impedindo a Batavo de chegar ao seu mais importante mercado.

A colônia entra em crise. Tentativas de convencer conterrâneos a saírem da Holanda para Carambeí trazendo capitais não deram certo. Só em 1933 o governo da Holanda envia um representante.

Provavelmente informado sobre a fracassada Colônia Gonçalves Júnior, em 1911, o enviado da Holanda tem a melhor das impressões em Carambeí. Se em 1911 fora preciso repatriar quase todas as famílias, em 1933 Carambeí afigura-se ideal para receber mais holandeses. E apoio governamental.

Entre 1934 e 1940, chegam a Carambeí sete famílias holandesas, entre as quais reemigrantes da Indonésia. Ainda em 1940, a sociedade muda o nome para Cooperativa Agropecuária Batavo Ltda., com 17 sócios holandeses e alemães. A Batavo compra, da Brazil Railway, os restantes cinco mil hectares da Fazenda Carambeí.

 “Os holandeses quebraram o tabu da inutilidade agrícola dos Campos Gerais” e abriram caminho para novas e bem-sucedidas colonizações, resumiu o historiador Alberto Elfes, em Campos Gerais – Estudo da Colonização (edição do Incra – 1973). Eles atingiram a maior produtividade de leite no país, com o rebanho de origem holandesa aprimorado nos Estados Unidos. Na década de 70, levaram a soja, o trigo, o milho e outras culturas a serem predominantes em seu âmbito. Atualmente, a Batavo está em 27 municípios, com 670 associados, e o faturamento em 2012 passou de um bilhão de reais.  Mantém-se a suinocultura e sua industrialização. Já os produtos lácteos, sinônimo de Batavo na memória brasileira, constituem uma divisão do conglomerado Brazil Foods.

 

Batavo e Castrolanda

 

Castrolanda associa Castro – o município – e Holanda, país dos colonos. Trazendo máquinas agrícolas e gado leiteiro, as primeiras cinco famílias chegaram em 30 de novembro de 1951. Logo, em 1954, as Cooperativas Batavo e Castrolanda fundam a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná (CCLP), para industrializar e vender a produção agropecuária.

Em 2012, a Castrolanda, a Batavo e a Agropecuária de Arapoti iniciam a construção do frigorífico de suínos, em Castro. A previsão é de faturar R$ 520 milhões anuais já na primeira fase, a se inaugurar em novembro de 2013. Processará inicialmente 2.300 suínos por dia e colocará no mercado tender, mortadelas, bacon, presunto etc.

Airton Procópio dos Santos/Caximbo

Os holandeses abriram caminho para novas e bem-sucedidas colonizações

 

Airton Procópio dos Santos/Caximbo

Foz do Rio Pitangui, em Carambeí

 

Airton Procópio dos Santos/Caximbo

Castrolanda associa Castro, o município, e Holanda, país dos colonos