Economia

Economista avalia impactos do corona vírus nos Campos Gerais

Especialista em desenvolvimento regional afirma que a magnitude dos impactos depende do comportamento do mercado internacional e casos locais
(Foto: Divulgação)

Responsável pelo pior desempenho da bolsa de valores brasileira desde 1998, o corona vírus tem afetado a economia mundialmente – e a região dos Campos Gerais não deve ser exceção. Com casos já confirmados no estado do Paraná e suspeitas em Ponta Grossa e municípios próximos, a pandemia levanta dúvidas e receio de como o mercado e a população devem se comportar nas próximas semanas.

Para avaliar os principais impactos da pandemia no cenário local, a reportagem do Diário dos Campos conversou com a doutora em economia e mestre em desenvolvimento regional e agronegócio prof. Augusta Pelinski Raiher, que comentou os principais fatores que já estão e ainda devem ser afetados.

“Basicamente temos dois elementos importantes, pois o impacto econômico para a região vem de duas fontes: a externa e a local, e não temos controle nenhum sobre os fatores externos”, destaca a economista, afirmando que, em contrapartida, a economia doméstica depende do comportamento da população.

Fatores externos

Conforme lembra a professora, a projeção econômica mundial caiu de 2,9% para 2,4% neste ano. “Isso significa que a renda mundial tende a afetar a demanda por exportações. Pegando os dados do último semestre que temos disponíveis, em torno de 20 a 25% das exportações regionais são para a China, pum dos países que mais teve redução na projeção do PIB - de 5,7% para 4,9%. Se continuar como está, teremos queda da demanda de bens exportados, e os Campos Gerais serão afetados nesse sentido”, atesta.

Porém, Augusta calcula que o efeito negativo não seja tão intenso na região, comparada a outros locais. “Em torno de 90% das nossas exportações são de bens de baixa tecnologia que possuem inércia na demanda, como alimentos, por exemplo. Teremos redução na demanda por conta da queda de renda prevista, mas não tanto como nos casos de bens de tecnologia”, afirma.

Já em relação às importações o cenário é diferente. “Já tem várias fábricas no Brasil, principalmente as de maior valor agregado nos bens, que já estão paralisando a produção por conta da dificuldade de importar componentes. Como em torno de 15 a 18% das nossas importações vem da China e a grande massa – mais de 50% - são bens complementares, podemos ter essa dificuldade na compra de itens já que lá a produção está mais restrita”, explica a especialista.

“A perspectiva é que teremos um travamento no processo de intensificação da renda na região, mas a magnitude disso depende de como o mercado internacional vai se comportar e internamente o quanto a nossa região vai ser atingida por esse vírus”, conclui.

 

 

“A região tende a ser afetada, mas num menor grau frente a outros locais”, afirma a prof. Dra. Augusta Raiher

 

Comportamento populacional

Em relação ao impacto no terceiro setor, como comércio e serviços, a professora doutora Augusta Raiher afirma que depende das contaminações e comportamento da população regional. “Acredito que medidas para combater o surto como as adotadas em São Paulo e Distrito Federal relativa à restrição de circulação de pessoas não aconteçam tão cedo por aqui, mas se chegar a esse ponto o impacto econômico é direto porque o nível de compras e a demanda são menores”, analisa.

“Porém, mesmo que não haja a restrição formal é natural que as próprias pessoas iniciem o processo de diminuição à exposição a espaços públicos, principalmente lugares de aglomerações como restaurantes, bares, shows, entre outros. Hoje ainda não sentimos os efeitos na economia doméstica, já que há pessoas circulando e universidades e escolas funcionando, mas conforme os casos próximos de contágio forem se intensificando é natural um processo de retração na circulação, consumo e geração de renda na região”, afirma Augusta.