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Em breve, sua casa vai produzir toda energia elétrica que você precisa

(Foto: Pixabay)

Viver em uma casa com 100% de energia limpa e renovável, em breve, não será apenas um sonho de ambientalistas preocupados com o futuro do planeta. A transição entre um modelo de fornecimento de energia elétrica tradicional, em rede e baseada em grandes usinas geradoras, já é uma realidade em algumas partes do mundo. E o melhor: além de ecologicamente correta, a solução pode ser mais barata e pode garantir a seus moradores energia mesmo diante de crises de desabastecimento.

Se você mora em alguma grande cidade brasileira, como São Paulo, por exemplo, poderá perceber as vantagens econômicas de ter autonomia energética em sua casa desde o primeiro momento. No caso de um sobrado no qual vivem quatro pessoas, instalar um sistema de energia solar fotovoltaica custa cerca de R$ 15 mil. O impacto na conta de luz é imediato: estima-se que, já no primeiro mês, a redução chegue a 90%. Assim, em sete anos, o investimento inicial estaria pago. E o equipamento apresenta vida útil de, no mínimo, 25 anos. Depois de 25 anos, a capacidade de produção dos painéis, em função do tempo de uso, cai para cerca de 80% do total

"Não é uma tecnologia cara, seus valores são competitivos", afirma Rodrigo Sauaia, presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). "De 2010 para cá, o custo da energia solar fotovoltaica se tornou 83% mais barata. Enquanto isso, a conta do fornecimento de energia elétrica subiu acima da inflação. Hoje, gerar energia renovável já é mais barato do que comprar", complementa

 

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Califórnia: Energia da quinta economia do mundo será 100% limpa
 

A Califórnia assumiu dois compromissos sustentáveis ambiciosos em 2018. Até 2045, toda eletricidade consumida no estado norte-americano deverá ser proveniente de fontes não emissoras de gases de efeito estufa, sobretudo de matrizes sustentáveis, como a solar e a eólica - no ano anterior, o Havaí havia feito a mesma promessa. A curto prazo, já a partir de 2020, todas novas casas e edifícios que tenham três andares ou mais deverão, obrigatoriamente, ter módulos de energia solar instalados em seus telhados.

O pacote de medidas para geração de energia verde na ensolarada Califórnia recebeu o endosso de políticos e artistas como o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore (Democrata), o ex-governador do estado Arnold Schwarzenegger (Republicano), e os atores Leonardo DiCaprio e Chris Hemsworth, entre outros. "Temos que liderar e mostrar o que pode ser feito. Se conseguirmos 100% de energia renovável, outros estados também podem", disse o congressista Bill Quirk (Democrata) durante o evento de assinatura das leis, sancionadas pelo governador Jerry Brown (Democrata).

A decisão arrojada dos dirigentes californianos deve inspirar outros estados e países. A Califórnia é a quinta maior economia do planeta e a transição de energias mistas (de predominância em combustíveis fósseis) para energia solar nas casas a partir de 2020 deve reduzir a geração de gases de efeito estufa em 53% - o equivalente a 700 mil toneladas ou 115 mil menos carros movidos a combustível fóssil nas ruas.

Além da instalação dos sistemas solares fotovoltaicos, é exigido das novas casas um elevado padrão de eficiência energética. Entre os elementos listados na lei californiana estão uso de material e técnicas de construção que promovam isolamento térmico, iluminação que aproveite a luz natural e que use ao máximo a tecnologia LED, além de sistemas de otimização de ventilação de ar. De acordo com a Comissão de Energia (CE) do estado, o custo de uma casa de tamanho médio irá subir US$ 9,5 mil, mas a economia prevista é de US$ 19 mil em 30 anos. Quem paga hipoteca terá acréscimo de US$ 40 mensais enquanto o desconto na conta de energia elétrica será de US$ 80, em média.

"Com essa adoção, a Comissão de Energia da Califórnia alcançou um equilíbrio justo entre a redução das emissões de gases do efeito estufa e, ao mesmo tempo, limitou os custos de construção", afirmou Dan Dunmoyer, CEO da Associação da Construção Civil do estado. "Sob esses novos padrões, os edifícios terão um desempenho melhor do que nunca, ao mesmo tempo em que contribuem para uma rede confiável", completou Andrew McAllister, emissário da CE.