Geral

Exposed: mulheres usam twitter para expor casos de assédio sexual

Internautas fazem hashtags sobre assédio sexual viralizar na internet, porém expor falso assédio na web configura crime
(Foto: Pixabay)

Municípios do Paraná viraram um dos assuntos mais comentados no Twitter na última quinta-feira (28). Hashtags como #ExposedLondrina, #ExposedJaguariaíva e #ExposedCuritiba viralizaram na web com relatos de assédio sexual sofridos por mulheres e adolescentes em ambiente familiar, escolar e no trabalho.

Recentemente, um caso semelhante ocorreu em Ponta Grossa. No dia 11 de maio, também por meio do Twitter, internautas relataram casos de assédio moral e sexual e de pedofilia contra um fotógrafo da cidade. As vítimas formalizaram as denúncias na Polícia Civil, que instaurou inquéritos.

No caso de PG, foram identificados indícios importantes, porém é necessário ter cuidado com postagens desse tipo na internet. A pessoa exposta de forma injustificada pode recorrer à Justiça por danos morais, injúria, difamação ou calúnia.

Conforme o advogado e professor do curso de Direito da Unisecal, João Maria de Goes Junior, a utilização das redes sociais pode ser um problema por causa da exposição dos envolvidos.

“Geralmente são situações que envolvem intimidades. Além disso, tem a questão do direito de defesa. O suposto criminoso pode posteriormente comprovar sua inocência, mas daí o estrago já pode ser insuperável”, esclarece.

Apesar de precisar ter cuidados ao expor na web, Goes incentiva que as mulheres continuem com o encorajamento para que as denúncias sejam feitas. “A vítima de abuso, qualquer que seja o tipo, deve sim ser encorajada a denunciar. Mas o mais importante é a criação de uma rede de proteção para esta vítima. Ela tem que ter conforto para denunciar e apoio para superar a violência sofrida”, defende.

O assédio sexual é crime e deve sim ser denunciado. “Seria interessante que essa denúncia viesse instruída com o maior número de provas possíveis. Tudo pode ser utilizado como prova: fotos, conversas em aplicativos e gravações”, instrui.

SERVIÇO

Para denunciar abuso sexual e físico contra crianças e adolescentes, disque 100 (atendimento diário das 8h às 22h - inclusive feriados). Para violência contra mulher, disque 180 (atendimento 24h).

Bruna Kosmenko é estudante do último ano de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa e Naiâne Jagnow está no quarto ano de Jornalismo da Unisecal. Fazem estágio regulamentado no Diário dos Campos e a produção deste conteúdo foi supervisionada pelo editor-chefe do jornal, Walter Téle Menechino.