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Inovações tecnológicas demandam novo perfil de Engenheiros

Na última quarta-feira (11), foi celebrado o Dia do Engenheiro. A data foi estabelecida em 1933, pelo decreto nº 23.569, assinado pelo presidente Getúlio Vargas. Em quase nove décadas, a Engenharia desdobrou-se em mais de cem títulos e novas modalidades continuam sendo criadas. No Estado, segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), são 83.114 profissionais, somando os registros e vistos.

A Engenharia Civil conta com maior número de profissionais registrados, 34.097. Completam as cinco mais: Agronomia (17.845), Engenharia Elétrica (13.718), Engenharia Mecânica (11.288) e Engenharia Química (2.610). Os homens são maioria, com 70.642 registros – 27.205 na Engenharia Civil. A participação feminina vem crescendo nos últimos anos. Atualmente, são 12.472 mulheres registradas no Crea-PR. A maioria delas está na Engenharia Civil, 6.892.

Das oito Regionais do Conselho, a de Curitiba é a que tem mais profissionais, 26.770. Na sequência, Maringá (7.957); Cascavel (7.253); Londrina (6.372); Ponta Grossa (3.669); Guarapuava (2.883); Pato Branco (2.781); e Apucarana (1.933).

“Para acompanhar esse crescimento de profissionais em nosso mercado, o Crea-PR vem se aprimorando e investindo em novas tecnologias para oferecer  ainda mais segurança à sociedade por meio das fiscalizações e batalhar por um mercado cada vez mais ético para os profissionais”, diz o presidente do Conselho, o Engenheiro Civil Ricardo Rocha.

Apesar de a profissão ter sido reconhecida no país apenas no século passado, a Engenharia é uma profissão muito mais antiga. Obras milenares como as pirâmides do Egito e os templos da civilização asteca são exemplos disso. A importância dos Engenheiros só cresce e as aplicações são cada vez maiores, seja no desenvolvimento sustentável ou para enfrentar os desafios da eficiência energética. A automatização de processos, o uso de ferramentas da tecnologia da informação e os avanços da biomedicina também são áreas em que a Engenharia está ligada.

O Engenheiro Mecânico João Carlos Motti, Conselheiro do Crea-PR e integrante das Comissões de Educação e Atribuição Profissional (CEAP) e de Análise de Taxas (CATX), avalia que as aplicações são muitas, mas que é preciso fomentar a produção.

“O futuro da Engenharia é o infinito, mas depende de aspectos fundamentais: investimento público-privado em obras; desenvolvimento de tecnologias e pesquisas no país; e aumento da produtividade, que só acontece se houver competência”, lista.

Motti revela a preocupação com a melhoria da qualidade de ensino nos cursos de Engenharia. Segundo ele, para se alcançar a competência dos profissionais, a maneira de ensinar tem que mudar.

“Os jovens que estão entrando nos cursos não querem apenas teoria. Querem o exercício da profissão desde o começo. As metodologias ativas deverão ser cada vez mais presentes na academia. O empreendedorismo também deve ser incluído, por ser um campo muito fértil, seja por necessidade ou por oportunidade”, decreta Motti.

O avanço das novas tecnologias deve ser motivo de atenção dos profissionais que já estão estabelecidos no mercado e daqueles que ainda pretendem seguir o caminho das Engenharias, segundo Euclésio Finatti, Engenheiro Civil, assessor parlamentar e empresarial do Crea-PR.

Para Finatti, as inovações tecnológicas e as tendências computacionais exigem reflexões. “Nós, Engenheiros, precisamos ter pensamento crítico. Uma das questões é como vamos nos comunicar nos próximos dez anos. As competências técnicas são necessárias, mas as comportamentais também são muito importantes.”

O assessor salienta que as tecnologias serão cada vez mais disruptivas e a mudança é inexorável. “Vivemos uma mudança de era. No campo da eficiência energética, por exemplo, é preciso solucionar as necessidades do país. Ao associar a utilização de energia renovável (com a utilização de painéis fotovoltaicos ou outras alternativas limpas) com a eficiência energética (diminuição da quantidade de energia que será consumida), passa-se de uma promessa de economia para economia comprovada. Hoje, o ajuste do custo com o benefício é a grande diferença proporcionada pela Engenharia quando se pensa em sustentabilidade dos recursos”, ressalta Euclésio Finatti.

A postura profissional e a conduta ética também ganham mais relevância. André da Silva Gomes, Engenheiro Eletricista e atual coordenador da Comissão de Ética Profissional (CEP) do Crea-PR, destaca que a excelência na profissão perpassa os caminhos da ética profissional e que o Sistema Confea/Crea revisou o Código de Ética Profissional (Resoluções Confea 1.002/2002 e 1.004/2003).

“Considerando-se as mais de 19 mil empresas que possuem registro no Conselho de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA-PR) e os mais de 83 mil profissionais que atuam no Estado, o discurso sobre moral e ética tem sido recorrente no meio empresarial, principalmente frente aos recentes acontecimentos no país”, analisa.

Para Gomes, há uma tendência natural de que os profissionais e as empresas preocupem-se com os meios para se alcançar os fins, “revendo conceitos e buscando os caminhos que levam, de fato, a excelência na profissão.”

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