Ensaio

Língua da China no comércio exterior

Com o aumento exponencial do comércio entre Brasil e China, o mandarim se tornou peça-chave para as negociações. Como nunca foi uma língua muito cogitada de se aprender até alguns anos atrás, o país não formou quase nenhum profissional com fluência neste idioma. Agora, aqueles que já conhecem, estão se sobressaindo.
 Mesmo durante a crise financeira, que afetou a economia mundial durante 2008 e meados de 2009, a China continuou tendo crescimentos espetaculares em comparação ao resto do planeta. Em 2007, o PIB (Produto Interno Bruto) chinês cresceu 11,7%; em 2008, 9%; 8,7% em 2009; e a expectativa para 2010 é que alcance 9,5%.
Em contrapartida, a economia brasileira não teve uma expansão deste nível neste mesmo período: 5,4% em 2007; 5,1% no ano seguinte; retração de 0,2% em 2009; e expectativa de crescimento de 7% este ano — mas se manteve como um dos países menos atingidos pela turbulência. Assim, as relações comerciais entre as duas nações ganharam mais força neste período.
 O aumento da demanda de profissionais que falem mandarim já é percebido em grandes empresas exportadoras do país. Além da procura por colaboradores brasileiros que conheçam este idioma (normalmente descendentes ou até chineses que moram no Brasil desde pequeno), as organizações estão “importando” mão de obra para trabalharem nas nossas terras.
 Normalmente, o tempo de aprendizado do mandarim gira em torno de seis anos, bem diferente do inglês e espanhol, que conseguimos já ter fluência na metade deste período. Além disso, ainda não é em qualquer escola de idiomas que há o acesso ao mandarim. São poucas as instituições que oferecem este tipo de aprendizado.
 Mas o fato principal é que o novo profissional que negociará com empresas chinesas não basta apenas – se pode se dizer apenas – falar o mandarim. Ele precisa ter conhecimento da cultura chinesa, tanto em relação aos negócios quanto as tradições do país.
 É fato, e todos sabemos, que cada nação tem uma maneira diferente de fazer negócios. As diferenças são mais visíveis ainda quando se trata de cultura ocidental e oriental. Oposto ao brasileiro, o empresário chinês não fala o que quer abertamente. Primeiro, ele avalia toda a situação em que se encontra e analisa o mercado que está tentando entrar, para verificar todos os riscos e benefícios da negociação.
Assim, será o profissional da empresa brasileira que terá que oferecer todos os primeiros passos e tentar auxiliar de diversas maneiras esta comunicação além do idioma.
 
O autor é professor de Relações Internacionais - [email protected]