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Mão de obra garante investimentos privados, diz Richa Filho

Em entrevista exclusiva ao Diário dos Campos, o secretário de estado de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, destaca o ‘boom’ industrial pelo qual Ponta Grossa vem passando. Segundo ele, além de gerar emprego, renda e tributos, as novas indústrias também garantem para esta geração e, especialmente para futuras gerações, condições de emprego de qualidade que as empresas estão abrindo e certamente irão expandir. O secretário diz ainda que Ponta Grossa e região têm capacidade para abrigar estes empreendimentos em razão da qualidade de vida, de mão de obra qualificada e de infraestrutura. Confira os principais trechos da entrevista:

 

Diário dos Campos- Nos últimos anos, Ponta Grossa tem atraído várias indústrias. Por que isso está acontecendo e de que forma o governo do Estado tem apoiado esse desenvolvimento?

José Richa Filho – Foi estabelecido um ambiente de diálogo com o setor produtivo que permitiu ao Estado voltar para o radar dos investidores nacionais e internacionais. Em 2011, apresentamos o Programa Paraná Competitivo, que reúne uma série de incentivos para quem quer abrir ou expandir empresas. Este programa inovador permitiu vivenciarmos o maior ciclo de industrialização do Paraná em todos os tempos. Em três anos, R$ 35 bilhões foram atraídos para o Estado, abrindo 180 mil novas oportunidades de trabalho. Um terço dos novos investimentos estão sendo realizados nos Campos Gerais. São empreendimentos diversificados nos ramos de metal-mecânica, automotivo, bebidas, celulose, madeira e agroalimentar. Temos que destacar a capacidade da região em abrigar estas empresas em razão da qualidade de vida, boa formação de mão de obra e de infraestrutura. É uma parceria que deu certo entre o governo e as Prefeituras.

 

DC - Quanto de investimentos foi viabilizado pelo Paraná Competitivo a Ponta Grossa?

J.R.C. – Aproximadamente R$ 4 bilhões estão divididos entre Ponta Grossa, Castro, Jaguariaíva, Piraí do Sul e Carambeí. Apoiamos investimentos como das Cooperativas Capal, Batavo e Castrolanda, da metalúrgica Hübner, Grupo Águia e Madero, que são companhias paranaenses. Mas também conseguimos atrair novos investimentos estrangeiros como a DAF/Paccar, Cargill, Ambev, Tetra Pak, Masisa, entre outras importantes companhias que vão ajudar a consolidar o desenvolvimento sustentável da região e do Paraná.

 

DC - Qual a importância desse “boom industrial” para Ponta Grossa?

J.R.C - Juntos, cidade e governo estadual, estamos criando um dos maiores polos industriais do Paraná que gerará emprego, renda e tributos por dezenas de anos. Para o Município, isso significa uma oportunidade sem precedentes de ampliar rapidamente a relevância que tem na economia do Estado, e garante para esta e as futuras gerações de ponta-grossenses condições de emprego de qualidade que as empresas estão abrindo e certamente irão expandir.

 

DC - Muitas indústrias apontam para a localização estratégica como um dos fatores para a instalação (proximidade com Curitiba e com o Porto de Paranaguá e acesso ao Norte do Estado e São Paulo). Que tipo de investimentos estão sendo feitos e precisam ainda ser realizados para melhorar a logística tanto em rodovias quanto em ferrovias?

J.R.C - Ponta Grossa realmente tem uma localização privilegiada que contribui para o seu desenvolvimento. O governo está atento às necessidades do município e da região para garantir condições para que o crescimento seja sustentado. Exemplo disso é a duplicação da Rodovia do Café, até Apucarana, que conseguimos viabilizar graças ao diálogo franco com a concessionária. A PR-151 também será duplicada até Jaguariaíva. A PR-090 entre Jaguariaíva e Santo Antonio da Platina vai ser duplicada por meio de Parceria Público-Privada. A Compagas faz grande investimento na região para disponibilizar gás natural para as empresas com ramal ligando Ponta Grossa, Carambeí e Castro.

 

DC - Ainda há muita reclamação em relação ao preço do pedágio. Tem como baixar as tarifas?

J.R.C. - A questão da tarifa do pedágio precisa ser despolitizada. Criamos a Agência Reguladora (Agepar) com o objetivo de regulamentar, controlar e fiscalizar as rodovias e outro serviços concedidos. Nossa visão também é de que as tarifas são altas, mas temos que encarar as concessões tecnicamente. Nós defendemos a segurança jurídica, pois este é um dos fatores considerados pelas empresas que vêm ao Paraná para investir. Isso significa respeitar os contratos assinados pelo Estado. Com total franqueza, sem judicialização, estamos conseguindo que as empresas responsáveis pelas rodovias realizem obras essenciais no menor prazo possível e que o atendimento aos usuários seja da melhor qualidade. É isso que temos feito, sem bravatas que não levam a lugar nenhum. O resultado é que temos quase R$ 2 bilhões sendo investidos em obras de duplicação, terceiras faixas, viadutos, passarelas e pontes em todo o Anel de Integração para dar mais fluidez ao tráfego e mais segurança aos motoristas.

 

DC - Ponta Grossa ainda pode ser considerado o principal entroncamento rodoferroviário do Sul do país?

J.R.C. - Acho que esta condição Ponta Grossa jamais vai perder. É um fator essencial para que novos investimentos aconteçam no município e está sendo muito bem explorado pela administração local.

Mão de obra garante investimentos privados, diz Richa Filho. Foto: Arquivo/DC