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“Minha missão é deixar a vida das pessoas mais feliz"

Yan também tem uma história de desprendimento e mudança de história de vida e acredita que viver de arte oxigena a cabeça e faz com que eles cumpram a sua missão. “Minha missão é deixar a vida das pessoas mais feliz. O dia-a-dia é muito corrido e ver arte no sinal, por exemplo, muda o dia das pessoas”, explica.

Para eles, além de conseguirem levar um pouco de distração à população por meio do seu trabalho, a arte serve também como uma crítica ao sistema capitalista. “O capitalismo é injusto e eu não queria ser patrão nem empregado. A arte na rua me fez dono de mim mesmo”, afirma Henrique.

João Filho
Para os artistas de rua, muitas vezes um sorriso basta para a sensação de dever cumprido

A arte de rua em Ponta Grossa não é composta apenas de performances. Em vários pontos do centro da cidade é possível adquirir artesanatos em bancas. É o caso de Angélica e Tiago, artesãos naturais de Ponta Grossa que produzem e vendem colares, pulseiras, conchas e filtro dos sonhos

Semelhante aos artistas dos sinais, Angélica e Tiago também têm como objetivo “entregar a mensagem do amor, que foi esquecida, através da arte”, afirma o artesão.

João Filho
Yan Flávio (18) veio para Ponta Grossa de São Roque – SP

Outro ponto em comum entre Angélica e Tiago com os artistas viajantes, é que eles concordam sobre a cordialidade da população com os artistas. “As pessoas são educadas. Dificilmente alguém não responde um bom dia”, afirma Tiago. “Às vezes a gente não ganha dinheiro em um carro, mas um sorriso já nos faz perceber que alcançamos nosso objetivo”, completa Henrique Souza.

 

Visão da população

Bruno Oliveira é técnico em eletrônica e músico. Ele acredita que acredita que os artistas de rua uma visão diferente da sociedade e escolheram fazer o que gostam para sobreviver, mesmo que de um jeito mais simples. “São pessoas que optaram por uma forma de vida altruísta, sem apegos materiais”, comenta.

Bruno também faz referência ao lado social, e diz que muitos desses artistas vivem uma ideologia diferenciada, não conseguem se encaixar no mercado de trabalho e, optam assim, pelo trabalho independente nas ruas.

João Filho
A arte das ruas se manifesta de várias formas, desde performances até a venda de artesanatos

Apoio governamental

Apesar de se sentirem extremamente acolhidos pela população, o artista de rua Henrique Souza afirma sentir falta de apoio da prefeitura, viabilizando, por exemplo, aulas de arte para a população. “Poderia ser feito um espaço para compartilhar arte, com oficinas gratuitas, por exemplo”, comenta.

 

Lado legal

A Prefeitura Municipal de Ponta Grossa reconhece a importância da extensão da arte para as ruas e lugares públicos. Eduardo Godoy, diretor de Cultura de Cultura, entende que a arte deve estar onde o público está.

A lei 11.203/2012 regulamenta a apresentação de artistas na rua e é aplicada pela Fundação Municipal de Cultura junto com a Secretaria Municipal de Planejamento, que é responsável pela fiscalização.

Para que os artistas trabalhem de forma legal, é necessário que se dirijam até a prefeitura, onde receberão as orientações necessárias para que possam praticar suas atividades em locais públicos. “Temos tido um resultado muito positivo, de uma forma que fique bom para o artista e para o Município, que autoriza essa atividade e também cria regras para que não tenha problemas”, afirma o diretor.

Ainda segundo Eduardo, também existe a possibilidade de que os artistas saiam da informalidade. Nesse caso, precisam procurar a Sala de Qualificação Profissional para que se tornem um microempreendedor individual (MEI) ou se encaixem em outra modalidade.

 

*Reportagem produzida pelos alunos de Jornalismo da Secal: Daniely Neiverth, João Filho e Marina Machado, através de parceria com o DC.

Parte 1: http://www.diariodoscampos.com.br/findi/2017/09/artistas-de-rua-a-vida-de-quem-decidiu-viver-pela-arte/2407981/?768