Ensaio

Novos empreendimentos

Diante de minhas atividades, boa inteligência que Deus me concedeu e de meu espírito indomável, fui convidado para uma reunião afim de discutir vários assuntos de nossa cidade, entre os quais constituir uma sociedade que visava preencher a Princesa dos Campos de algumas realizações, tais como: construir um hotel bem defronte a entrada dos arenitos da Vila Velha;  possuir um jornal, uma rádio e futuramente uma televisão de alcance nacional, sem deixar de cogitar novos empreendimentos que visavam engrandecer a Capital Cívica do Paraná, pois ela estava há muito estagnada.
A mencionada sociedade foi cogitada antes de eleição de Cyro Martins (de saudosa memória). A primeira conquista seria criar um jornal ou até a compra do Jornal da Manhã, inativo, de alguns nomes, em que se destacava o senhor João Vargas de Oliveira (de saudosa memória). Essa sociedade compunha-se de quatro sócios: da minha pessoa, de Walace Pina (de saudosa memória), proprietário da Rádio Difusora e uma Imobiliária; Constâncio Mendes, proprietário de loja de tecidos; e Gustavo Horst, titular de casa de peças, tradicional na cidade, sócio do Hotel São Marcos e outros bens.
Percorremos de início vários terrenos de fronte a Vila Velha e ficou assentada nova reunião para decidir da compra do comentado imóvel e dar seguência a outras iniciativas já propaladas acima. No inicio da reunião para surpresa dos demais sócios, o Senhor Walace Pina comunicou aos demais companheiros que havia adquirido o Jornal da Manhã que julgou dispensar a consulta aos demais componentes, pois a referida compra foi por um preço quase irrisório. Os demais componentes da empresa que iria ser registrada deram uma dura repreensão, questionando-o se havia recebido dos demais componentes autorização para tal. Depois veio a pergunta: Quem irá transferir para outro local as instalações e o referido maquinário, e o mais difícil, quem irá dirigi-lo?  Fizeram silêncio todos os acionistas. Repentinamente um deles, quem poderia ser! Walace Pina já se pronunciou, o ‘Spósito’. Os demais mais rapidamente concordaram. É ele mesmo, pois tem um fôlego de gato e enfrenta qualquer obstáculo.
A partir daquele instante, fiquei em silêncio meditando. Logo em seguida disse quero ‘carta branca’ com as despesas que irei fazer para assumir essa responsabilidade. De imediato os demais companheiros  pronunciaram SIM. No dia seguinte fui ver como estavam as instalações, especialmente as máquinas linotipos e depois busquei um novo imóvel (rua Dr. Colares, quase esquina com a rua Paula Xavier). Moral da história, além de minhas várias atividades, antevi trabalhar 24 horas por dia. Localizei os linotipistas que haviam sido dispensados e os contratei para ajudar na mudança. Eu não entendia nada de jornal. A mudança já estava concretizada. Tentar entender os funcionários com paciência de Santo e não ver a hora de poder anunciar que no dia tal, iria circular novamente o  primeiro Jornal da Manhã.

O autor é advogado OAB PR. Nº 4.289, ex-presidente da Câmara Municipal, ex-sócio, administrador e diretor do Jornal da Manhã - [email protected]