Ensaio

O eleitor é quem sabe

Pesquisa dada a conhecer nos últimos dias assinala um empate (44%) entre Roberto Requião e Gleisi Hoffmann na disputa pelo Senado. Ambos integram a chapa liderada pelo senador Osmar Dias e deixam longe (hoje, claro), os outros dois mais fortes candidatos, os deputados Gustavo Fruet e Ricardo Barros, ambos da chapa que tem o ex-prefeito curitibano Beto Richa no comando. Ora, por que, então, se essa distância é confortável, o mesmo não ocorre na disputa entre Osmar e Beto?
Simplesmente porque o eleitor não segue naturalmente as propostas partidárias. Três vezes governador do Estado, Roberto Requião deve ter um eleitorado cativo, somado aos eventuais votos que lhe são dados por razões outras. A senhora Gleisi Hoffmann vem de campanhas para o Senado contra Álvaro Dias e para a Prefeitura de Curitiba contra Beto Richa. Seu nome já tem lugar na memória do eleitor. Tanto que pode abocanhar uma vaga na Câmara Alta na frente do ex-governador.
Não há como explicar-se essa diferença entre os dois cargos majoritários. É de se notar, porém, que Gustavo Fruet foi o candidato mais votado na última eleição para a Câmara Federal pelo Paraná. Já Ricardo Barros, líder de Fernando Henrique e também de Lula na Câmara, percorreu os municípios paranaenses por mais de uma vez, todos eles, como diz, com o objetivo de tornar-se senador da República. Ambos patinam por volta dos 20 por cento. Tempo para sair desse percentual ainda há. Mas claramente se vê difícil alcançarem favoritos que beiram aos 50 por cento.
Seja como for, com coerências ou não do eleitorado, fato é que estamos a dez dias das eleições, tudo indicando resultados finais já no dia 3 de outubro. Se Requião e Gleisi são os favoritos, os demais candidatos ao Governo não deverão levar o pleito governamental a um segundo turno. Osmar e Beto polarizam. Dizer-se que o presidente Lula será decisivo e que sua presença no Paraná poderá realmente indicar o novo governante pode ser precipitado. O que se verifica, entretanto, hoje, é que Osmar e seus acompanhantes estão mais otimistas. E que Beto saiu da mesmice de uma campanha acomodada para investir em outros terrenos, inclusive fazendo concessões a programas de Governo que não os de suas administração na capital.
Por outro lado, enquanto Osmar Dias não deixa de citar a conveniência de um governo associado à Lula e Dilma, Beto Richa retrai-se com relação a José Serra. Os índices em pesquisa do ex-governador de São Paulo ao invés de subir, baixam. E, não havendo uma reação urgente, a candidata escolhida pelo Presidente da República pode colocar dois votos contra um no resultado final. Aprove-se ou não, a tendência pode ser essa realmente, a despeito das lamentáveis ocorrências na Casa Civil, sempre ela, e na Receita Federal, até então intocável. Falar-se em Fernando Henrique, então, jamais. Pode espantar, mesmo que possa ter sido ele um chefe de Estado vitorioso em antigos propósitos governamentais. Popular é Lula. E é o que importa.

Ayrton Baptista, jornalista