Especial

Para Ponta Grossa, em termos eleitorais, vire à direita!

Emerson Urizzi Cervi*

A política em Ponta Grossa tem como característica principal a manutenção de um padrão de votação consciente de centro-direita com traços conservadores ao longo do tempo. Resultados eleitorais mostram que acontece de maneira consciente e não como consequência de simples convenção social ou por tradição. Tanto assim que quando lideranças de direita mostram-se desacreditadas, o eleitor tende a votar em alternativas não-convencionais, tanto em disputas locais, quanto regionais.

Um exemplo mais recente desse padrão na política local deu-se a partir da transição dos anos 80 para 90. A partir dos anos 80 a cidade experimentou uma sequência de três governos seguidos que se caracterizavam pela continuidade do padrão tradicional local. Começou com Otto Cunha (eleito pelo PMDB em 1982), passou para Pedro Wosgrau Filho (eleito pelo PDC em 1988) e terminou com Paulo Cunha Nascimento (eleito pelo PDC em 1992). Todos, empresários ou políticos locais, ligados aos segmentos tradicionais da cidade. Após 14 anos seguidos de administrações de centro-direita (o mandato de Otto Cunha foi de 6 anos), o desgaste chegou a tal ponto que o eleitor resolveu mudar. Com perfil oposto ao dos prefeitos anteriores, tornou-se prefeito Jocelito Canto (eleito pelo PSDB em 1996). Ainda que do ponto de vista da história pessoal, ele se distancie do perfil da elite política local, as opções de governo de Jocelito colocam-no no grupo dos populistas de direita. Portanto, ao contrário do que se imagina, em certos aspectos o governo de Jocelito foi continuidade dos anteriores. Ainda “cansado” do perfil tradicional de direita, após o governo de Canto, o eleitor local resolveu dar um voto de confiança na, até então, única opção eleitoral viável de esquerda na cidade, Péricles Holleben Melo (eleito pelo PT em 2000). Ainda que seja identificado com opções políticas progressistas, Péricles se aproxima do perfil pessoal dos governantes anteriores a Jocelito. Em alguma medida, principalmente nos aspectos pessoais, ele representou a continuidade na política local.

A opção pelo voto conservador também é percebida nas eleições regionais. Independente de quem seja o candidato, aquele que se aproxima de movimentos sociais, principalmente o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), tem dificuldades na cidade. Foi assim com Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PDT) em 2006. Já Beto Richa conseguiu aqui o seu maior percentual de votos em cidades de porte médio do Paraná. Ou seja, o eleitor local é conscientemente de direita e só muda o padrão de voto quando não existem alternativas nessa faixa do espectro ideológico.

O curioso é que pelos movimentos iniciais dos partidos políticos para as próximas eleições municipais, em 2012 o eleitor terá mais de um candidato viável de centro-direita para escolher a praticamente ninguém à esquerda. Quando isso acontece, cresce o risco de radicalização do discurso conservador nas campanhas eleitorais – o que normalmente resulta em um retrocesso no debate sobre políticas públicas.

* O autor é Cientista Político e professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)

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