Cidades

Pesquisa inédita revela quais as fontes de felicidade na escola

Livro revela que alunos, pais e professores têm desejos similares
(Foto: José Aldinan)

Uma inquietação se tornou pesquisa, a pesquisa se tornou livro e, agora, algumas das respostas podem instigar as escolas a mudar seus métodos e prioridades de ensino. O profissional de comunicação em marketing, Rogério Mainardes, está percorrendo diversas cidades do Paraná (Ponta Grossa nesta semana), no lançamento da obra Felicidade: Uma Investigação, promovido como parte da programação dos 70 anos do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe-PR). O autor, com o patrocínio do sindicato, apresenta os resultados de uma pesquisa profunda que envolveu 16 escolas e mais de 700 alunos, pais de alunos e professores.

Agora publicado, o documento traz um retrato qualitativo da educação, desenvolvido por meio de questionários e grupos de discussão, e que também exigiu a participação de profissionais de psicologia e pedagogia, incluindo a coautora Daviane Chemin, psicóloga.

“Em 2017, eu tinha uma filha de 36 anos, um filho de 32, e tive a surpresa de ganhar mais um filho. O nascimento dele me fez refletir sobre quais seriam os fatores que levariam um filho a ser feliz em meio a um conflito de gerações. (…) Então surgiu a ideia de tentar responder como o aluno poderia ser mais feliz na escola e na família, como o pais ser mais feliz com a escola, e como a escola ter um relacionamento mais feliz com a família”, explica.

Uma das estratégias para isso foi ouvir os alunos, e fazer com que cada estudante entrevistasse o pai de outro estudante, no esforço por responder essas questões. Ao fim, a conclusão foi surpreendente, até mesmo para a presidente do Sinepe-PR, Esther Cristina Pereira. “As escolas pensam que precisam investir mais em estrutura e tecnologia. E a pesquisa mostrou que eles querem coisas que vêm de graça”.

 

Prioridades

De fato, estudantes, famílias e educadores colocaram no topo das prioridades o amor, seguido da família, da união, da superação, do respeito e da amizade. Mainardes destaca a constatação de que os três grupos têm os mesmos interesses e necessidades: “Estudantes, pais e educadores citaram amor, família e união como os 10 valores que mais traduzem a felicidade. Ou seja, os interesses são os mesmos, só falta comunicação”, diz Mainardes.

 

A fórmula

Liberdade + Respeito x Afeto = Felicidade. Segundo Rogério Mainardes, essa é a formula para tornar mais feliz o relacionamento entre os três grupos estudados, que demonstraram esperar o mesmo do outro. Para o escritor, isso significa que é preciso mais diálogo entre escola, família e alunos. “Temos que rever todo o processo de comunicação entre pais, filhos e escolas, porque tem muito ruído na comunicação enquanto que os desejos são os mesmos”, aponta, propondo uma visão mais humanista da educação. O livro será distribuído gratuitamente nas escolas particulares e nas diretorias municipais de ensino.

O autor e representantes os presidentes Sinepe e Fenep visitaram o DC na sexta-feira (8)

Avaliação das instituições

O presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenepe), Ademar Batista Pereira, explica que a preocupação com a qualidade do ensino é uma constante. No caso das escolas particulares, uma das ferramentas sugeridas para isso é a realização do PISA para Escolas. Trata-se de uma avaliação voluntária, por meio da qual as escolas terão resultados importantes. “Será possível criar um dossiê, que mostre a classificação da escola e do ensino na média brasileira e de outros países, com critérios internacionais”, explica. A prova será realizada por adesão, em 2020, com no mínimo 42 estudantes por instituição, com investimento de R$ 11 mil.