PG 193 anos

PG abre mais de 2,6 mil empresas em oito meses

Comércio varejista é o ramo que mais recebeu novos empreendimentos, mas também é o que mais extinguiu empresas em 2016

De janeiro a agosto deste ano, Ponta Grossa ganhou 2.685 empresas, pessoas jurídicas com inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). O número é 3,03% maior que o registrado no mesmo período de 2015, quando foram abertos 2.606 empreendimentos. Nos 12 meses do ano passado a quantidade de novos negócios chegou a 3.689. Os números são da delegacia regional da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa.

O levantamento mostra que o mês com maior número de registros de empresas abertas, neste ano, foi em maio, com 392. Já no ano passado em julho, 371. O setor que mais abriu empreendimentos, de janeiro a agosto deste ano, foi o comércio varejista, com 585.

Em segundo lugar a atividade de serviços especializados para construção foi o que mais despertou o interesse dos empreendedores, com a abertura de 314 empresas.

Para o consultor de empresas e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Luciano Salamacha, não só Ponta Grossa, mas o País está vivendo um novo momento. “De maneira macroeconômica o que estamos vendo é um fenômeno de empreendedorismo por necessidade. Basicamente há duas formas de uma pessoa se tornar um empreendedor e abrir o próprio negócio. A primeira é por oportunidade, decorrente de ter percebido alguma chance de explorar uma atividade empreendedora no mercado. Já a segunda (por necessidade) aumenta em momentos ruins da economia quando profissionais que perderam o emprego e, movidos pelas dificuldades de recolocação, buscam identificar oportunidades de desenvolver o próprio negócio como forma de sobrevivência, alguns deles, inclusive, com claro foco em atividade empreendedora temporária”, avalia.

Para ele, a partir destes conceitos o que se observa no Município é a manutenção de um fenômeno observado desde o meio de 2014, quando a economia entrou em estagnação e incrementou em 2015 com a recessão. “Observe-se o PIB brasileiro de 2014 em crescimento de 0,10%, 2015 com menos 3,8% e para 2016 se estima entre menos 3% a menos 4%. O triste efeito é a taxa de mortalidade dessas empresas que também costuma ser alta”, diz.

 

 

Fechamento cresce 51% em um ano

O relatório da delegacia regional da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa aponta também o número de empresas, com CNPJ, extintas no município. No primeiro trimestre de 2015 foram 303 estabelecimentos fechados, enquanto de janeiro a março deste ano, 458. O aumento corresponde a 51,15%. Em todo o ano passado foram finalizados 1.225 empreendimentos.

Para o consultor de empresas e professor da FGV, Luciano Salamacha, o Microempreendedor Individual (MEI) dificilmente será incluído na faixa de fechamento. “A característica efetiva é a substituição de um salário na pessoa física por um rendimento pessoa jurídica. Essas pessoas jurídicas não são geradoras de empregos, pois tratam da legalização do trabalho do próprio empreendedor como pessoa jurídica”, explica.

Desemprego deve manter tendência

O consultor de empresas e professor da FGV, Luciano Salamacha, acredita que o movimento de abertura de empresas por necessidade deve continuar. “Essa tendência deve continuar até 2018 visto que a taxa de desemprego tende a se manter nos próximos dois anos. Se houver variações, tanto positivas quanto negativas, serão irrelevantes face o indicador atual. Lembrando que estamos falando com base nas premissas hoje vigorando na economia em que o Governo Federal, agora não mais interino, terá muitas dificuldades diante de um Congresso extremamente dividido e em conflito”, comenta.

Ele observa ainda que “no campo político, é natural que as prefeituras contigenciem seus gastos nos dois primeiros anos de mandatos, seja por conta da chamada ‘herança maldita’ no caso de eleição das oposições, ou mesmo no caso de reeleições”, completa.


Luciano: “estamos vendo um fenômeno de empreendedorismo por necessidade”

Foto: Arquivo