PG 188 anos

PG pode crescer em 10 anos o que levou 30

Mesmo sem planejamento, Município continuará crescendo e de forma rápida, avalia professor da Fundaç

 

 

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EXPANSÃO Luciano Salamacha: ponta-grossense fala como pensa o futuro da cidade

 

“Sonhar com o futuro é inerente aos agrupamentos sociais. Pais sonham o futuro de seus filhos. Empresários e funcionários sonham com o futuro do negócio que lhes dá o sustento. Governantes sonham com a consagração pública de seus atos. Líderes religiosos sonham com o futuro de seus fiéis. E também cidadãos sonham com o futuro da sua cidade”. É com este pensamento que o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Luciano Salamacha, fala sobre como imagina Ponta Grossa no futuro.

Ele observa que há 30 anos, quando a população vivia sem internet, microondas, telefone celular, câmeras filmadoras, TV a cabo, músicas MP3 ou até mesmo o computador portátil, falar sobre a cidade era dizer que se tratava do maior entroncamento rodoferroviário do Sul do País, capital da soja e capital cívica do Paraná.

“Sonhava-se com uma cidade em que a maioria da população tivesse onde morar, onde a saúde básica existisse, onde o acesso a educação fosse uma realidade e que as pessoas vislumbrassem um futuro na própria cidade a ponto de acabar com aquela mania de dizer que para crescer você teria que mudar para Curitiba”, diz.

Para ele, hoje a cidade comemora alguns ganhos. Um deles é a existência de aproximadamente 105 mil domicílios formais (segundo o Censo do IBGE), ou seja, média de três pessoas por lar.

“Somos uma população jovem. 51% têm menos de 29 anos e somente está pensando em se juntar aos mais de 86 mil estudantes que todos os dias justificam o emprego de mais de 4 mil docentes. Poucos deles falam de sair da cidade para desenvolver sua vida. Uma cidade extremamente urbana em que apenas 2% da população mora na área rural e que a grande maioria da população urbana tem acesso a energia elétrica e água tratada e que há um carro ou moto para cada três habitantes”, observa.

A saúde pública, comenta, apresenta dificuldades para não destoar do resto do País, mas menos pessoas morrem por doenças daquela época como o sarampo, meningite e outras mais. Todos os dias, dezenas de cirurgias cardíacas são realizadas na cidade.

Para o professor, entender estas mudanças que ocorreram ao longo dos últimos anos é importante por dois motivos. “O primeiro é para entender que elas vêm acontecendo cada vez em menos tempo. Provavelmente, nos próximos 10 anos a cidade vai experimentar uma transformação maior que os últimos 30. Não porque houve um planejamento coordenado e estruturado entre a sociedade e o poder público. Simplesmente porque Ponta Grossa está no lugar certo e na hora certa. Agora, imagine se tal planejamento fosse efetuado?”, questiona.

O segundo, fala, é para que as pessoas aprendam a mudar o referencial de seus sonhos. “Foi-se o tempo em que era possível se preparar para o futuro porque você podia prever o que iria acontecer. Hoje, a saída é tentar estar preparado para algo que você tem certeza que não consegue nem prever”, orienta o professor.



 

Moradores devem se

preparar para o futuro

Ponta-grossense, o professor Luciano Salamacha não esconde suas origens. Como docente da Fundação Getúlio Vargas (FGV) viaja por praticamente todo o País. Leciona aulas de Norte ao Sul brasileiro e não se cansa de dizer que é VIP. A sigla para ele não tem nada haver com ‘pessoa muito importante’, mas com ‘vim do interior do Paraná’.

Para Luciano, foi à época em que os moradores não gostavam do Município. “Os ponta-grossenses gostam daqui e há algum tempo vem deixando de lado aquela mania equivocada de falar mal de sua cidade”, acredita.  

E justamente por isso, devem aprender a sonhar diferente, acrescenta Salamacha, que também é consultor de empresas. “As pessoas devem sonhar pensando no presente e fazendo sua parte, se preparando para o futuro. É preciso dar um basta em obras inúteis, hospitais regionais feitos por políticos que brincam com o dinheiro público ou negociatas demagógicas que nos deixam em segundo plano”, avalia.  

 

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Cidade conta com 105 mil domicílios