Safra 2016/2017

Ponta Grossa dá largada ao plantio de trigo

Com cotação nada atrativa, produtores optaram por reduzir a área destinada à principal cultura de inverno
Enquanto municípios como Tibagi, Ventania, Arapoti e Sengés iniciaram o plantio do trigo na segunda quinzena de maio, Ponta Grossa e cidades mais próximas estão começando agora, em junho. Mas as expectativas em relação ao mercado da principal cultura de inverno não são muito animadores. Com o preço em declínio, os produtores decidiram rever a área plantada e esta revisão foi para baixo.

A primeira estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) aponta para 130 mil hectares na região (18 municípios), 44.900 hectares a menos que o destinado na safra 2015/16.

Por outro lado, a produtividade média prevista nas lavouras é de 3.500 quilos por hectare, 480 quilos acima da obtida na safra anterior, que foi de 3.020 quilos por hectare.

Mas a boa rentabilidade não será suficiente para se atingir uma produção superior em 2017. A previsão não passa de 455.000 toneladas. Se houver esta confirmação, a queda na safra será de 13,57%.

O produtor, Douglas Taques Fonseca, já está plantando em Tibagi e iniciando em Ponta Grossa e confirma que haverá redução na área. “O plantio vai diminuir bastante porque o preço não está bom”, explica.

Neste momento, ele observa que não há sinalização de melhora, no entanto Douglas acreditar que deixar de planta não é a melhor saída. “Se não plantar trigo, terá que fazer cobertura verde como aveia para depois fazer o plantio direto, então o trigo ainda é opção e pode ser que até a próxima colheita muita coisa mude. Se o dólar voltar ao que estava tempos atrás, aí já começa a compensar de novo. A agricultura é assim, tem que jogar sempre, é sempre incerteza, tem que correr o risco. É uma indústria a céu aberto”, diz.

Para o economista do Deral, Luís Alberto Vantroba, o que frustrou os produtores nesta safra foi realmente a comercialização passada, marcada por preços nada atrativos.

O economista lembra que quem optou pela cevada conseguiu cerca de R$ 32 pela saca, já quem continuou no trigo observe em torno de R$ 30 a saca (cerca de 18% abaixo do custo de produção). Ele acredita que deverá permanecer na principal cultura de inverno aqueles que têm uma boa produtividade e tecnologia para isto.

 

Estado estima produção 9% maior

O Paraná tem uma expectativa de produção, se o clima no inverno for normal, de 3,1 milhões de toneladas, volume 9% inferior ao colhido no ano passado. Muitos produtores que desistiram de plantar o trigo migraram para a cultura do milho e aveia para evitar prejuízos, analisa o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho.

Plantio do trigo acontece na região dos Campos Gerais

Foto: Arquivo