Economia

Potencial de consumo da região registra alta maior do que a brasileira

Nos últimos cinco anos a média de crescimento local foi 45,9%, enquanto o país registrou 25,5%

45,9%. Esse é o aumento do potencial de consumo dos Campos Gerais de 2014 a 2019, quando então chegou ao patamar de R$ 21,7 bilhões. A variação é maior do que a média brasileira, que registrou 25,5%. Os dados foram apresentados nessa terça-feira (11) pelo IPC Maps, índice elaborado pela consultoria IPC Marketing Editora com base em dados divulgados por instituições oficiais.

Para o responsável pelo estudo, Marcos Pazzini, o resultado alavanca a região para uma posição de destaque no cenário de consumo nacional. “É uma diferença bem grande, que mostra que os Campos Gerais tiveram um desenvolvimento melhor do que a média de todos os municípios brasileiros”, aponta Pazzini, lembrando que o valor apresentado é nominal – ou seja, sem descontar a inflação do período.

O estudo é apresentado por categoria, e quatro primeiras no ranking de crescimento no período repetem-se tanto em âmbito local, quanto nacional: fumo (95,3% na região/58,3% no Brasil), transportes urbanos (77% na região/46,9% no Brasil), alimentação no domicílio (67% na região/46,8% no Brasil) e artigos de limpeza (65,2%/44,5% no Brasil).

“O fumo ser o maior segmento em termos de alta no potencial de consumo em cinco anos é uma surpresa, que mostra o desenvolvimento do setor e dos hábitos da população, como a popularização dos narguilés, por exemplo”, avalia o responsável pelo estudo. Além dele, a categoria bebidas também teve um alto crescimento, de 62% na região e 40,8% no país, mesmo com “despesas com recreação e cultura” ter ficado abaixo da média nos Campos Gerais (38,8%) e na média brasileira (18,1%).

Já um segmento importante que ficou abaixo da média na região e acima no total Brasileiro é a alimentação fora do domicílio: a alta é de 45,2% na região (a média entre todas as categorias é 45,9%) e 26,7% no total brasileiro – onde a média de crescimento foi 25,5%. “Considerando que a alimentação no domicílio teve a terceira maior alta nos dois âmbitos isso é um indicador negativo, no sentido de atrair menos franqueadores e estabelecimentos em geral”, analisa Pazzini.

Crise

Para o responsável pelo estudo, o principal motivo para as categorias que cresceram abaixo da média – dez na região e nove no Brasil – terem registrado esses resultados é a crise econômica instalada no país nos últimos anos. Os materiais de construção tiveram a menor alta na região, com 17,5%, seguidos de matrículas e mensalidades (26,7%), despesas com viagens (27,7%) e “outras despesas com saúde” (31,4%) que, segundo Pazzini, referem-se à gastos com seguros e convênios médicos, por exemplo.

Na média brasileira as categorias quase se repetem no ranking inverso de crescimento: matrículas e mensalidades (1,5%), materiais de construção (3,9%), “outras despesas”, como pagamento de dívidas de compras parceladas (9,8%), despesas com viagens (11%) e, então, outras despesas com saúde (11,9%).

“Com a incerteza de emprego e renda, a população passa a cortar investimentos como escolas particulares e cursos de especialização ou idiomas, convênios médicos e viagens. Também passamos por uma crise na construção civil e, na insegurança financeira, menos compras são parceladas – aspectos que fizeram com que todos esses segmentos subissem abaixo da média”, destaca Marcos Pazzini.

 

Campos Gerais apresentam resultados positivos em comparativo

No comparativo entre os índices de crescimento do potencial de consumo nos últimos cinco anos da região com a média de todos os municípios brasileiros outro ponto que merece destaque é que a menor variação registrada nos Campos Gerais – 17,5%, materiais de construção – só foi ultrapassada pela sétima menor do país: 18,1%, despesas de recreação e cultura.

Enquanto a menor porcentagem do país foi 1,5%, em matrículas e mensalidades, a regional foi 17,5%, em materiais de construção. Já o melhor desempenho local atingiu 95,3%, enquanto o maior nacional não alcançou 58,4% - em ambos, o fumo.

 

Crescimento do potencial de consumo na região nos últimos cinco anos

95,3% Fumo

77% Transportes urbanos

67% Alimentação no domicílio

65,2% Artigos de limpeza

62% Bebidas

61,8% Eletrodomésticos e equipamentos

60,5% Gastos com medicamentos

58,3% Mobiliários e artigos do lar

56,9% Manutenção do lar

51,6% Higiene e cuidados pessoais

51,1% Vestuário confeccionado

50,3% Calçados

45,9% Média total

45,2% Alimentação fora do domicílio

45,2% Livros e material escolar

40,9% Gastos com veículo próprio

40% Outras despesas com vestuário

38,8% Despesas com recreação e cultura

31,8% Outras despesas

31,4% Outras despesas com saúde

27,7% Despesas com viagens

26,7% Matrículas e mensalidades

17,5% Materiais de construção

*As variações são nominais, apresentadas pelo IPC Maps