Cidades

Prefeitura aponta que greve segue com 6% de adesão

A Prefeitura de Ponta Grossa vem realizando o controle de frequência de funcionários desde o primeiro dia de greve dos servidores, iniciada na segunda-feira (12). De acordo com a Secretaria Municipal de Administração e Recursos Humanos, no primeiro dia foram registradas 672 ausências, o que corresponde a cerca de 8% de todo o quadro de servidores municipais, composto por 8.287 profissionais. Embora não tenham sido divulgados números oficiais até o fechamento desta edição, o município estimou que a paralisação atingia 6% dos servidores ontem.

Dessa forma, a prefeitura calcula que aproximadamente 96% de sua estrutura de atendimento está mantida sem problemas, sendo que ainda houve paralisação de uma parcela considerada pequena de escolas e unidades de saúde. O restante dos serviços, como Praça de Atendimento, Mercado da Família, Agência do Trabalhador, Hospital Municipal, Hospital da Criança, UPA Santa Paula, AMTT, Prolar, Cultura e Assistência Social vem prestando atendimento e serviços normalmente.

Professores mantiveram atividades em escolas. (Foto: Divulgação)

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv), Leovanir Martins, criticou e questionou o número. “Percebemos a maneira como o Poder Executivo vem se comportando nesse processo. Esses números para a gente não fazem diferença, mas seguramente tivemos de 1.500 a 1.800 pessoas participando das mobilizações, somente na segunda-feira”, disse.

Segundo Martins, na segunda-feira foram mais de 113 locais participando do movimento, incluindo 33 dos 60 Cmeis e 41 das 48 Unidades de Saúde.

Sem diálogo

Na opinião de Martins, os números divulgados pela prefeitura “expõem o comportamento do Executivo, que consiste em não dar reajuste e manifestar relutância em dialogar com os servidores”.

Para ele, a justificativa do governo de que não há recursos para reajuste salarial encontra eco na crise verificada no Brasil e nos municípios, mas revela a ausência de medida preventivas que a prefeitura deveria ter tomado para garantir a valorização dos servidores efetivos.

Números

Martins também se manifestou acerca dos números divulgados em reportagem publicada pelo DC na edição de terça-feira (11). O texto publicou quadro apontando que houve aumento real no salário dos servidores ao longo dos últimos cinco anos.

“Nem eu, nem os servidores entenderam os números apresentados. Eu gostaria de conversar com quem fez o levantamento, para entender tecnicamente. Foram pegos salários, adicionais, horas extras e comparados com quem, eventualmente, tem remuneração alta, para dividir com quem tem remuneração baixa”, disse Martins.

Professores

O presidente do Sindserv questionou o fato de a reportagem não apresentar dados de vários profissionais, incluindo os professores que trabalham 20 horas, que participam da concentração da greve e não foram mencionados. “Será que é porque não fazem horas extras e não recebem adicional?”, questiona. “O fato concreto é que o salário informado não bate com o que eles recebem, e ficou claro que [a matéria] tenta dizer que o servidor ganha bem, o que não é verdade, exceto cargos em comissão e que ocupam chefia. Mas, no quadro geral, o servidor ganha pouco”, comentou.

Improbidade

A prefeitura alerta que, caso algum servidor que tenha aderido à paralisação também tenha realizado o registro da frequência no relógio ponto, a ação pode se configurar como improbidade. Conforme o artigo 482 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sistema que rege a contratação dos servidores municipais em Ponta Grossa, o ato de improbidade constitui justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador.