Agribusiness

Produtividade da lavoura de milho depende de nutrientes bem aplicados, diz especialista

Enxofre e potássio podem elevar a qualidade das plantações
(Foto: Divulgação)

A agricultura não depende apenas de plantação, irrigação e tempo adequado para produzir bons resultados. O aumento da potência das lavouras está atrelado, atualmente, a uma necessidade de nutrir as plantas com recursos cientificamente testados, sem prejudicar o meio ambiente e proporcionando segurança alimentar e qualidade para o consumidor final.

Na lavoura de milho, que cresce a cada ano, dois nutrientes essenciais para o aumento da produtividade são o enxofre e o potássio, conforme explica o engenheiro agrônomo Samuel Guerreiro. “É evidente que a agricultura brasileira tem se profissionalizado cada vez mais e isso tem sido percebido nos resultados de produção”, diz.

Guerreiro, diz que o uso de enxofre e potássio no milho rendeu “incremento médio de 17,68 sacas por hectare”, segundo constatou pesquisa ao longo de 10 anos nos Estados Unidos. Na entrevista a seguir, ele explica como esses dois nutrientes agem sobre a plantação.

 

De que forma esses nutrientes agem sobre a planta?

O enxofre ajuda a aumentar a oferta de proteínas e aminoácidos essenciais. Como consequência, o uso desse recurso aumenta a qualidade do grão, melhora a defesa natural da planta contra os chamados patógenos; que são organismos causadores de doenças e também atua no controle hormonal para o crescimento e a diferenciação celular. Já o potássio regula abertura e o fechamento de estômatos; estruturas que ficam especialmente nas folhas, realizando trocas gasosas e regulando a turgidez. O potássio também é responsável pelo transporte de outros nutrientes, promove a absorção de água, auxilia o armazenamento e transporte de carboidratos. Esse elemento também é um ativador enzimático e atua na fotossíntese. Lembrando que essas funções serão ativadas pelos nutrientes que a planta conseguirá absorver e translocar, pontos cruciais principalmente quando se fala de aplicação de nutrição via foliar.

 

 

Especialmente em relação à plantação do milho na safrinha, o que o senhor acha que falta ao produtor rural e o quais sãos os desafios que ele tem pela frente?

O produtor vem fazendo sua tarefa de casa e se dedicando cada safra mais ao milho safrinha. Como consequência, a safrinha de milho tem crescido a cada ano. Em 2019, já existem estatísticas que indicam que estão sendo plantados 11,2 milhões de hectares. Esse número representa um aumento de 15,5% em relação ao ano passado. Além disso, a expectativa é colher 66,5 milhões de toneladas com essa segunda safra. Esse aumento da oferta decorre do aumento da área e da produtividade, a partir também do uso de tecnologias cada vez mais modernas, que contribuem para a ampliação dos ganhos dos agricultores que investem na correta nutrição das plantas e o correto manejo de pragas, doenças e plantas daninhas. Ao percorrer as cidades brasileiras, é possível perceber que a maior parte dos produtores rurais já têm consciência da necessidade do complemento nutricional para as plantas, como forma de potencializar o desenvolvimento e o potencial produtivo. O produtor nacional de milho vem investido mais em fertilizantes e defensivos na segunda safra, o que não era comum tempos atrás. Também como consequência disso, a safrinha virou “safrona” e atualmente a média de produtividade nacional da safra verão e a safrinha estão quase que equiparadas. Seguir as regras de aplicação indicadas em produtos e não deixar os investimentos de lado, mesmo que o custo de produção aumente, são boas maneiras de incrementar a produtividade e o rendimento líquido por área.

  

O Brasil tem um tamanho continental e as características de cada região são muito diferentes. Para atingir uma boa produtividade em cada uma delas, o que é preciso ter em mente?

É evidente que a agricultura brasileira tem se profissionalizado cada vez mais e isso tem sido percebido nos resultados de produção. Antes do plantio da lavoura é preciso ter em mente o quanto se deseja produzir. A partir disso, será calculado o investimento a ser feito em genética (semente), fertilizantes e defensivos para se atingir o objetivo proposto. Aplicar grandes quantidades de determinado fertilizante pode prejudicar o desenvolvimento da planta, além de ser algo negativo do ponto de vista financeiro. Por outro lado, utilizar quantidades menores que as indicadas e recomendadas não vai produzir o resultado esperado. O segredo é o equilíbrio. Os produtos comercializados são resultados de diversos testes e estudos – teóricos e práticos – e a recomendação sempre deve ser seguida à risca, tanto no âmbito da nutrição como de proteção de plantas. Seguindo as regras de boas práticas agrícolas aliadas com as recomendações fornecidas por fabricantes de outros recursos, certamente haverá alto desemprenho, tanto na safrinha, quanto na safra de verão do milho. Afinal, as plantas precisam desses elementos, que são absorvidos naturalmente em grandes quantidades. Juntos, eles atuam no metabolismo das plantas entregando maiores rendimentos ao produtor rural.