Política

Professores e funcionários das escolas estaduais estão em greve a partir desta segunda (02)

Defesa da escola pública e a reforma da previdência estadual são as principais pautas da paralisação

Milhares de servidores que atuam nas escolas públicas estaduais cruzam os braços a partir desta segunda-feira (02). A decisão foi tomada no dia 23 de novembro em assembleia da categoria. Outras categorias também devem engrossar a mobilização.

Sem qualquer diálogo com as categorias, governador Ratinho Junior enviou para a Assembleia Legislativa um projeto que altera as aposentadorias dos servidores, elevando a contribuição, o tempo para se aposentar e taxando, inclusive, quem já se aposentou. A PEC 16/2019 tramita na Alep e pode ser votada ainda esta semana. "É um absurdo o governador querer cobrar contribuição de 14% de uma professora que passou quase 30 anos contribuindo com a previdência ou aumentar o tempo de outra professora que se aposentaria no próximo ano e, agora, pode ter que esperar mais 8 anos para se aposentar. O governo, infelizmente, nos empurra para a greve em pleno fechamento do ano letivo. Estamos na luta por direitos e não por 'privilégios' como diz o governo para colocar a população contra nós", afirma o professor Hermes Leão, presidente da APP-Sindicato que representa os educadores.

Outra pauta é a defesa da escola pública. O governo do Estado tenta encerrar o Ensino Médio noturno nas escolas estaduais, impedindo que milhares de jovens possam trabalhar e estudar. "A Secretaria de Educação tem coagido direções e impedido a abertura do 1º ano do Ensino Médio noturno nas nossas escolas. Em três anos, não teremos mais turmas a noite. Onde irão estudar estes alunos? O governo quer privar estes estudantes de ter acesso a educação e não podemos nos calar diante desta situação", argumenta Hermes. Outro ataque é sobre estudantes trabalhadores que necessitam da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O governo tenta aligeirar o estudo destes alunos e pretende encerrar turmas e escolas da modalidade.

Nesta segunda(2) professores e servidores, principalmente aposentados, realizam uma vigília em frente a catedral de Curitiba a partir das 17h.

Na terça (3) um grande ato está convocado. Milhares de pessoas de todo Estado devem participar da mobilização. A concentração será a partir das 9h, na Praça 19 de Dezembro, no centro da capital. Em seguida, os servidores seguem em caminhada até a frente do Palácio Iguaçu e acompanham a sessão da ALEP no período da tarde. Às 16h uma assembleia da categoria está prevista para avaliar o movimento.