Política

"Quero ser o candidato do emprego", defende Flávio Rocha 

Flávio Rocha, ex-CEO da Riachuelo, terceira maior rede de lojas de varejo do Brasil, e pré-candidato a presidente pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB), estará em Ponta Grossa nesta quarta-feira (16) para encontros com lideranças locais e para lançar o Movimento Brasil 200, durante Fórum Empresarial organizado pela Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg) e pelo Jornal Diário dos Campos. O Fórum está marcado para as 19 horas, na sede da Acipg. 
Na política, Flávio Rocha já exerceu dois mandatos como deputado federal pelo Rio Grande do Norte, em 1986, sendo reeleito em 1990. Em 1994, chegou a se pré candidatar à presidência da república pelo PL, desistindo posteriormente por conta do apoio de seu partido à candidatura de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Confira trechos da entrevista de Flávio Rocha. 

Diário dos Campos - O senhor fundou o Movimento Brasil 200 antes da sua pré-candidatura a presidente. Pode falar sobre as ideias do movimento?
Flávio Rocha - Eu não pretendia ser pré-candidato à presidência. Vinha sentindo que o nosso movimento, o Brasil 200, estava cumprindo plenamente o papel de firmar posição e de divulgar ideias que consideramos órfãs com apoio
maciço do eleitorado, mas aos poucos vi esta possibilidade ganhar musculatura. Ao mesmo tempo, era uma enorme angústia para mim ver este vazio na política. Movido pela falta de ter em quem votar, este processo evoluiu para uma pré-candidatura. Nosso projeto representa um clamor por um candidato novo. Vemos aqueles que se apresentam como contraponto a este período devastador da nossa economia e dos nossos valores, mas estes candidatos estão obsessivamente circunscritos a questão econômica. A questão econômica é muito importante, acho que 100 anos depois do socialismo, ficou claro que liberdade econômica e prosperidade são irmãs siamesas, mas não se ganha eleição somente no debate econômico. Esta vai ser uma eleição guiada pelos valores. O Brasil 200 seguirá independentemente da minha pré-candidatura. 

D.C -  Hoje o Brasil passa por uma crise profunda diante de tantos escândalos de corrupção. Qual o desafio de ser candidato em um cenário destes?
F.R.- A corrupção é um câncer que o Brasil luta bravamente para combater. A Operação Lava Jato foi um marco na história do país. E sempre digo que o maior desinfetante da corrupção é o livre mercado. Uso bastante a imagem do presunto na sala com moscas em volta. Não basta abanar as moscas. É fundamental tirar o presunto da sala. As moscas são os agentes da corrupção. Se você não muda o sistema, elas voltarão. 

D.C. - Como o senhor espera atrair o voto do eleitorado? Qual seu diferencial?
F.R. - Eu tomei a decisão mais difícil da minha vida, que foi me licenciar e me liberar das funções da minha empresa, a Riachuelo, no apogeu da minha vida profissional e da minha empresa para assumir este desafio. Quero ser o guardião da competitividade. Só assim, por meio da liberdade econômica, a geração de emprego voltará a ser plena. Quero ser o candidato do emprego. De emprego eu entendo. Somos o 15º maior empregador privado do Brasil. São 40 mil postos de trabalho. Entendo de nordeste também, e não é pela via do assistencialismo. Mas do empreendedorismo. Pesquisas são retratos de um momento. A história mostra muitos candidatos que largaram com 1% ou 2% nas pesquisas e ganharam eleições. Sou de longe, até agora, o candidato menos conhecido do grande público. Minha pré-candidatura foi lançada há cerca de um mês e já pontuei pesquisas como o Datafolha, Ibope e Instituto Paraná Pesquisas, competindo com nomes que estão aí há tempos e tiveram a mesma colocação que eu tive.  As mesmas pesquisas também apontam uma legião de eleitores indecisos e sem saber em quem votar. O cenário ainda vai mudar muito. Estamos cumprindo uma agenda intensa para divulgar nossas ideias e o nosso projeto. Estamos sendo muito bem sucedidos por todos os estados que temos visitado. Tenho certeza que estaremos no segundo turno.

D.C. - O senhor tem uma vasta experiência na iniciativa privada, também já
foi deputado. Diante das peculiaridades, que ações e iniciativas acha que seriam possíveis de adequar ao setor público e que seriam capazes de tornar os serviços mais ágeis e eficientes?
F.R. - Se eu for CEO de uma empresa chamada Brasil, um dos meus indicadores de gestão será a liberdade econômica. Um país próspero é um país livre e, nesse quesito, o Brasil está perdendo feio. A geração de empregos e riqueza está ligada à prosperidade e à liberdade econômica. Precisamos construir um país receptivo, onde seja fácil empreender e gerar riqueza. A geração de renda será uma consequência rápida do destravamento da economia e da liberdade econômica que vamos implementar a partir das reformas. O emprego virá como resultado da geração de renda. Como disse e repito, quero ser o candidato do emprego. De emprego eu entendo e emprego é o que o Brasil precisa", frisa.
 

Para Flávio Rocha, um país próspero é um país livre (Foto: Divulgação)