Economia

Região gerou 3,4 mil novos empregos formais em 2019

Ortigueira, Ponta Grossa e Jaguariaíva lideram criação de postos de trabalho com carteira assinada
(Foto: Arquivo DC)

O ano de 2019 foi, mais uma vez, positivo no mercado de trabalho dos Campos Gerais. De acordo com um levantamento feito pelo jornal Diário dos Campos baseado em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Governo Federal, os 23 municípios da região criaram 3.471 novas vagas de emprego formais. O cálculo é feito subtraindo as demissões das admissões e, portanto, considera apenas os postos de trabalho com carteira assinada.

 Em números absolutos, 2019 registrou a geração de 32 vagas a mais do que em 2018, mantendo uma estabilidade na geração de novos cargos. Somando os dois anos chega-se quase à marca de sete mil contratações a mais do que desligamentos.

Seguindo a tendência dos doze meses anteriores, no acumulado do ano passado o setor de serviços foi o que mais se destacou, com saldo de +1.462. Na sequência, figuram o comércio (+1.306), que também já ocupava o segundo lugar anteriormente, e a construção civil, que obteve uma recuperação impressionante: enquanto em 2018 o setor acumulava o fechamento de 527 vagas na região, em 2019 teve saldo positivo de 1.123, uma diferença absoluta de 1.650 trabalhadores.

O número abrange apenas as vagas de emprego com carteira assinada; como a construção civil possui diversas contratações informais ou através de terceirizações, a empregabilidade do setor é ainda maior. Para se ter ideia, até o final de 2019 apenas Ponta Grossa contava com 17.186 microempreendedores individuais (MEIs), sendo que 1.686 estão classificados como pedreiros. De acordo com dados do Portal do Empreendedor não há como filtrar por atividade, mas no decorrer do ano mais de 3,5 mil MEIs foram abertos na cidade – e muitos deles trabalham como prestadores de serviços.

Desempenhos negativos

Os únicos segmentos que tiveram saldos negativos de emprego no total da região em 2019 foram a agropecuária (-69) e a indústria (-389). Em entrevista ao DC o economista Evânio Felippe, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), afirmou que ainda não é possível determinar o motivo do resultado negativo.

“Os dados divulgados nesta sexta-feira (24) não identificam a fonte especificada dos números, ou seja, as atividades econômicas da indústria que afetaram o resultado. Novembro e dezembro, historicamente, são meses em que ocorrem mais desligamentos; é um movimento sazonal da atividade. Porém, no geral, o comportamento foi positivo no estado, refletindo o que vem acontecendo dentro da atividade produtiva - o crescimento da produção industrial do Paraná foi o maior do país, com 5,4% até novembro, enquanto o nacional registrou retração de 1,1% no mesmo período”, explicou o economista.

Quando comparados os resultados de 2018 e 2019, além de em 2019 a agropecuária e a indústria também apresentarem desempenhos piores (-439 e -955, em números absolutos comparativos), os serviços, apesar de serem os maiores geradores de vagas, também geraram menos do que em 2018: de 2.334 para 1.462, uma variação de -872 de um ano a outro.

Construção civil teve um crescimento expressivo no saldo de empregos de 2019, comparado a 2018 (Foto: Arquivo DC)

 

Ortigueira lidera geração de vagas

Dos 23 municípios que compõem os Campos Gerais, quinze tiveram saldos positivos e oito negativos. O ranking é liderado por Ortigueira, que ultrapassou três cidades de 2018 para 2019 e gerou, em 2019, quase três vezes mais o registrado em 2018, chegando a 973 novas carteiras assinadas.

O desempenho da cidade também a destaca como a única da região que não teve nenhum setor com mais demissões do que contratações. Como já era esperado, o segmento que mais se destacou na cidade foi o da construção civil (+724), seguido dos serviços (+124) e da indústria (+86).

Isso acontece porque, no início desse ano, a Klabin anunciou um investimento de R$ 9,1 bilhões na ampliação da fábrica de Ortigueira (Unidade Puma), que está em operação desde 2017. De acordo com a empresa, a maior parte dos equipamentos seria instalada na primeira etapa do projeto e, com isso, aproximadamente dois terços dos recursos previstos para a implantação da nova planta ocorreriam entre 2019 e 2021.

Ponta Grossa

Diferentemente de 2018, quando ocupava a primeira posição e possuía um saldo de empregos superior ao dobro da segunda colocada, a maior cidade da região ficou atrás de Ortigueira em quantidade de empregos gerados. Sozinha, Ponta Grossa registrou a criação de 922 vagas, voltadas principalmente ao comércio (613) e aos serviços (342). Apesar de contar com o maior distrito industrial do interior do Paraná, a cidade teve mais demissões do que admissões na indústria, fechando o ano com -70 de saldo no segmento. Outros setores que se destacaram negativamente foram a extração mineral (-16) e a agropecuária (-36).

 

 

Saldo de empregos

TOTAL

2019: 3439

2018: 3471

Serviços

2019: 1462

2018: 2334

Comércio

2019: 1.306

2018: 811

Construção civil

2019: 1123

2018: -527

Outros**

2019: 38

2018:-115

Agropecuária

2019: -69

2018: 370

Indústria

2018: 566

2019: -389

 

*O levantamento foi feito pelo DC com base em dados do Caged e consideram o total regional            

**Em “outros” são considerados os serviços industriais de utilidade pública, a extração mineral e a administração pública