Economia

Selic deve chegar a 5% até o fim de 2019 e renda variável ganha destaque

Carol Paiffer, CEO da ATOM S/A (Foto: Divulgação)

A Selic, taxa básica de juros, deve cair em 0,5 ponto percentual, de acordo com o Boletim Focus, enviado semanalmente pelo BC às instituições financeiras. A taxa está em 6% e a previsão é que se reduza a 5,5% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), prevista para ocorrer hoje 17 de setembro.

De acordo com Carol Paiffer, CEO da Atom S/A, Mesa Proprietária e Aceleradora de Traders de Alta Performance, a queda da Selic aponta que é o momento de investidores tomarem mais risco. “Quem estava ganhando dinheiro na renda fixa com títulos do Governo pré-fixados, agora terá que se mexer. A bolsa cresce e valoriza, com a entrada de mais dinheiro, e isso também acontece com o mercado imobiliário, mercado de energia e tudo que envolve risco”, afirma.

A taxa básica de juros é usada no controle da inflação e está abaixo da meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para 2019 e 2020. Em outubro, ainda segundo previsões, a Selic tende a cair ainda mais, podendo chegar a 5% ao ano e possivelmente se mantendo assim até dezembro, quando acontece a última reunião do COPOM. Para 2020, a expectativa também é baixa e deve se manter em 5% ao ano. Para 2021, deve encerrar o período em 7% ao ano.

O motivo é bastante simples segundo Carol: os investimentos de baixo risco não rendem significativamente com esta taxa. “O que há 3 anos rendia com base em uma taxa que chegava a 14%, hoje, descontando a inflação, não rende o suficiente. E aí os investidores migram para a renda variável”, ressalta a CEO a Atom S/A.

Segundo Carol, CEO da Atom S/A, esta baixa tem seu lado positivo: o crédito fica mais barato, o que incentiva a produção e o consumo, reduzindo o controle da Inflação e estimulando a atividade econômica.

A especialista comenta ainda, que para investir em renda variável é necessário cautela e estudo. “Os investimentos em renda variável são, como disse, de maior risco, e por isso devem ser feitos por pessoas que tenham conhecimento do mercado financeiro. Busquem profissionais qualificados ou se qualifiquem para conseguir ter bons resultados”, declara.

 

Mercado

Calculada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a Inflação deve ficar em 3,45%, em 2019. É a sexta redução consecutiva na estimativa. Na semana passada estava em 3,54%. Para 2020, a previsão agora é de 3,80%, na segunda revisão consecutiva. A expectativa para os anos seguintes continua em 3,75% para 2021, e 3,50% para 2022. A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é 4,25% em 2019, 4% em 2020, 3,75% em 2021 e 3,50% em 2022, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A expansão do PIB (Produto Interno Bruto), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, foi mantida em 0,87% em 2019. A expectativa para 2020 caiu de 2,07% para 2%. Os números de 2021 e 2022 não foram alterados: 2,50%. Já a previsão para a cotação do dólar ao fim deste ano subiu de R$ 3,87 para R$ 3,90 e, para 2020, de R$ 3,85 para R$ 3,90.