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Tibagi resgata história de primeira sala de aula

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 HISTÓRIA Carteiras duplas tinham espaço para tinteiros e penas

Improviso e falta de estrutura perduraram até 1915, com a inauguração do suntuoso grupo Telêmaco Borba

            Antes de 1872, quem nascia em Tibagi não ia para a escola. Simplesmente porque não havia escola. Para estudar, os filhos de famílias mais ricas podiam ir à cidade grande – Curitiba, tentar uma vaga no ensino primário. Mas aos demais, a pouca leitura de uns deveria ser repassada aos outros até que a Freguesia do Tibagy (assim mesmo, com y ainda), pertencente ao município de Castro, recebeu pela Lei 305 de 2 de abril daquele ano a Cadeira de Instrução Primária para o Sexo Feminino. Este era o nome da primeira escola da cidade.

            Com carteiras conjugadas, as alunas sentavam-se aos pares. Mais tarde houve o ingresso também de meninos e para os bagunceiros, o pior castigo era fazer dupla com uma menina. “As salas de aula eram equipadas com mapas e cartazes pedagógicos e nas carteiras havia um buraco apropriado para deixar o tinteiro. Ainda não havia canetas esferográficas e os alunos tinham de se virar com as antigas penas”, relata Neri Assunção, diretor do Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior. No Museu, objetos escolares fazem parte do acervo, como a lousa verde emoldurada em madeira e a temível palmatória.

            Neri revela que, apesar de haver apenas uma escola oficialmente na cidade, muitas salas improvisadas serviam às crianças em idade de aprender no centro da cidade. “Havia escolinhas administradas por professores e professoras, como a de dona Fernandina do Amaral, nas proximidades do prédio onde hoje funciona a Secretaria da Criança e da Assistência Social”. Isso foi em 1913.

            Dois anos mais tarde, a precaridade das salas de aula teve fim com a inauguração do moderno prédio da Escola Telêmaco Borba – hoje Biblioteca Pública Municipal Historiador Luiz Leopoldo Mercer. O prédio foi construído em terreno cedido pela Prefeitura e com recursos do Estado, no governo de Carlos Cavalcanti. Para a época, os equipamentos eram o auge da modernidade e as salas de aula do grupo tinham quadro negro, globos terrestres, mimeógrafos, máquinas de escrever, giz, apagador e  material de estudo do corpo humano. “Era tudo novidade e os estudantes ficavam impressionados”, relata Neri.

            Uma vida na sala de aula

            Até o final da década de 1970, o Grupo Escolar Telêmaco Borba permaneceu no prédio histórico, de arquitetura imponente. Por ali, milhares de tibagianos passaram pela 4a série em que a professora Cherubina de Andrade Mercer atuou durante 25 anos. Outros seis anos ela esteve à frente da direção do Colégio. Aos 21 anos, Cherubina, hoje aos 82, iniciou sua carreira no magistério. “Fiquei 25 anos numa sala de aula, toda uma vida. Tenho saudades até hoje. Tudo mudou. Era muito diferente”, relata a aposentada.