Economia

Variedade de produtos atrai consumidores nas feiras do produtor de Ponta Grossa

Uma das tradições da feira é o pastel do seu José Carlos e da dona Zélia, que é comercializado desde 1990 e até hoje atrai a atenção dos consumidores

Frutas, verduras, legumes, queijo, ovos, molhos, macarrão caseiro, quitutes orientais, artesanato, pastel, pães, cuca, tapioca e salgados em geral. Esses são alguns dos produtos que pelo menos duas vezes por semana são comercializados nas feiras do produtor de Ponta Grossa. A tradição e as novidades trazidas por alguns feirantes atraem a atenção do público, que vê na feira uma oportunidade de consumir produtos artesanais e derivados da agricultura familiar, de forma acessível.

De acordo com os dados da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Ponta Grossa (Smapa), atualmente há cerca de 70 feirantes que atuam nas feiras do produtor no município e há 34 produtores rurais cadastrados pela secretaria.

Dos estandes existentes, uma que é bastante frequentada é a do Pastel da Feira, do senhor José Carlos Andrioni, 68, e da senhora Zélia Cristina Andrioni, 67. O casal de aposentados trabalha com a comercialização do salgado desde 1990 e é através da feira que obtém boa parte da renda da família. Para Zélia, a oportunidade de trabalhar na feira transformou sua vida e a tornou uma pessoa mais saudável.

“Tudo começou quando eu estava com sintomas de depressão. Eu vi que precisava trabalhar porque não queria ficar parada e tinha que ficar em contato com as pessoas. Foi então que tive a ideia de vender pasteis junto com meu marido. Hoje não consigo parar e gosto de conversar com as pessoas. As atividades realizadas nas feiras não deixavam que eu pensasse em besteira”, lembra Zélia.

Com 30 anos do início das vendas, hoje o pastel feito por Zélia e José Carlos é tradição da feira. É comum ver pessoas que passam pelos estandes parar para degustar o pastel, como é o caso do bombeiro militar, Eduardo Seidl. “Eu vim com minha namorada na feira do Jardim Carvalho, aproveitei para comer um pastel e gostei. Como aqui na feira há diversos produtos em um só lugar, eu consigo escolher o que acho melhor”, destaca Eduardo.

A estudante Fernanda de Oliveira frequenta a feira do Jardim Carvalho semanalmente. Segundo Fernanda, o motivo é praticamente o mesmo, sempre: a busca pelo pastel do seu José Carlos e da dona Zélia. “Eu moro em Oficinas e mesmo assim venho toda terça-feira na feira. Gosto muito do pastel. A massa é crocante, o preço é ok e eu saio satisfeita”, sustenta a moça.

Os pasteis são vendidos a R$ 7 com um recheio e a R$ 12 com dois sabores. Há opções de pizza, carne, queijo, frango, banana etc.

Fugindo do tradicional

Além dos produtos tradicionais, os diferentes também se destacam nas vendas, como é o caso dos macarrões caseiros produzidos pela família de Paulo Pullski e Lúcia Pullski. Há opções do macarrão comum e também os de sabores de beterraba, cenoura, espinafre e o integral para quem gosta de uma alimentação mais regada a legumes e verduras.

“Eu gosto de macarrão, mas por questão de saúde estou tentando comer alimentos mais saudáveis. O fato de ter na feira a massa de macarrão caseira com cenoura faz eu frequentá-la toda semana”, diz a empresária, Júlia Diniz.

Paulo e Lúcia vendem produtos artesanais e orgânicos há 28 anos. Foi com a renda adquirida com o comércio que os dois conseguiram sobreviver financeiramente e criar os quatro filhos. “Eu tenho minha freguesia na feira. Se não fosse essa oportunidade eu não teria uma forma de trabalho e renda com meu próprio negócio”, alega Paulo, que também produz bolachas e molho de pimenta caseiro para vender.

Processo de modernização

Para incentivar os feirantes e melhorar a estrutura das feiras, a Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Ponta Grosssa forneceu bancas novas para os estandes e, agora, a pasta estuda formas de atualização e modernização do espaço de venda para atrair mais público.

De acordo com o diretor de Assistência de Agricultura e Pecuária da Smapa, Eldo Berger, as feiras do produtor são importantes instrumentos para fomentar a agricultura familiar e estimular a produção de hortifrutigranjeiros.

“Os produtores têm a garantia de que vão vender o que produzem. É importante esse tipo de associação para fazer frente aos grandes atacadistas. Se os produtores vendem o que é cultivado e feito manualmente, eles terão mais motivações para permanecer no campo porque a feira incentiva a produção e evita o êxodo rural, proporcionando alimentos de qualidade na mesa do consumidor”, enfatiza Eldo.

A ideia da Smapa neste ano é organizar e fomentar o associativismo dos produtores à Associação dos Hortifrutigranjeiros. “Quanto mais produtores e feirantes se associar maior é a possibilidade de que as feiras aconteçam em outros bairros da cidade também”, completa Eldo.

Calendário das feiras

Em Ponta Grossa há cinco dias da semana que possuem feira:

Terça-feira: Feira do Jardim Carvalho – praça da Igreja Santo Antônio, das 14h às 19h;

Quarta-feira: Feira da Benjamin Constant – embaixo do Restaurante Popular, das 14h às 19h; Feira de Orgânicos – ao lado da Igreja São José, no período da manhã;

Quinta-feira: Feira do Santa Paula – praça Tancredo Neves, das 13h às 19h;

Sexta-feira: Feira de Orgânicos do Jardim Carvalho, das 07h às 19h;

Sábado: Feira da Benjamin Constant – embaixo do Restaurante Popular, das 07h às 13h.