Safra 2017/2018

Riqueza e fartura em 22,3 milhões de toneladas de grãos

A safra de grãos de verão 2017/2018 resultou em 22,3 milhões de toneladas no Paraná. O resultado é 12% menor que o alcançado em 2016/2017 quando os produtores rurais colheram uma das maiores safras.  A redução está diretamente ligada ao excesso de chuvas entre dezembro do ano passado e fevereiro deste e a estiagem entre abril e começo de maio. Na região de Ponta Grossa, as safras de milho, feijão e soja resultaram em 2,99 milhões de toneladas. O momento atual pede atenção com o trigo, principal cultura de inverno que está sendo plantada e com o novo Plano Safra de R$ 194,37 bilhões, divulgado pelo governo federal há poucos dias, e que traz juro de custeio anual entre 6% e 7%.

 

Região – Soja e trigo ocuparam boa parte dos hectares nesta safra nos Campos Gerais. Principal cultura de inverno está em fase de plantio

A produção em 869.950 hectares

Na safra 2017/2018 a soja ocupou boa parte da área agriculturável dos Campos Gerais. A cultura ficou com 583.835 hectares. Em relação à safra passada houve aumento de 8%. Os produtores investiram e é claro colheram. A variação positiva foi de 3% (2.198.138 toneladas agora), mas a explicação está nas condições climáticas.

O excesso de chuvas entre dezembro de 2017 e fevereiro deste ano, segundo economistas do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) foi determinante para o resultado obtido nesta safra e não apenas com a soja, mas com o milho e com o feijão.

Juntas, estas culturas ocuparam 753.680 hectares, o que resultou numa produção de 2.999.918 toneladas de grãos. Somada a esta área a do trigo, que está com o plantio quase concluído regionalmente, o que temos são 869.950 hectares. O trigo, principal cultura de inverno, deverá render 406.945 toneladas, mas tudo dependerá, conforme o economista do Deral do núcleo regional da Seab, Luís Alberto Vantroba, do comportamento mais uma vez do clima, onde o que se espera são chuvas bem distribuídas e luminosidade, portanto, a presença do sol em todos os períodos da planta.

Embarques

No primeiro quadrimestre deste ano, as indústrias da região embarcaram US$ 40,04 milhões em soja (tortas e outros resíduos sólidos da extração do óleo e soja triturada). Isto sem considerar os embarques de óleo (US$ 24,17 milhões). O complexo soja representou 35,13% de tudo o que foi exportado entre janeiro e abril deste ano (US$ 180,64 milhões as exportações totais).

Em relação ao milho, conforme relatório da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), não houve exportação.

Complexo soja representa 35,13% das exportações dos Campos Gerais (Foto: Arquivo)

 

Cenário - Excesso de chuva no fim do ano passado e início deste refletiu na produtividade do grão. Cotação impactou positivamente

Região colheu mais soja, mas produtividade foi menor

A região dos Campos Gerais colheu um volume maior de soja, com produção final de 2,19 milhões de toneladas. O balanço é da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Na safra 16/17 foram 2,13 milhões de toneladas.

Apesar da produção maior, a produtividade não foi superior à registrada na safra passada. Os produtores regionais colheram em média 3.765 quilos por hectare. Na comparação com a última colheita a redução foi de 5%, quando o rendimento registrado foi de 3.964 quilos por hectare.

Na avaliação do economista do Departamento de Economia Rural (Deral) do núcleo regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em Ponta Grossa, Luis Alberto Vantroba, a safra 16/17 contou com a excepcionalidade das condições climáticas. “Nesta safra o rendimento foi menor por causa do excesso de chuvas, que ocorreram entre dezembro e o fim de fevereiro deste ano; faltou luminosidade para a planta”, explica.

Média

O Paraná colheu 19,1 milhões de toneladas, 4% inferior à safra anterior, que rendeu 19,8 milhões de toneladas. A rentabilidade média caiu de 3.762 quilos por hectare para 3.503 quilos por hectare. Para o economista do Deral, Marcelo Garrido, a produtividade da soja deste ano voltou aos níveis históricos, o que garantiu ainda uma boa safra.

Cotação

Em abril a cotação média foi de R$ 74 a saca (R$ 56 em abril de 2017), já em maio último de R$ 76.  O preço atual é atribuído a safra menor, inclusive na Argentina (lá por causa da estiagem), ao conflito comercial entre os Estados Unidos e a China e a valorização do dólar frente ao Real.

Para Garrido, a preocupação atual dos produtores é em relação à definição dos pacotes tecnológicos para a safra 2018/19, que começa a ser plantada no segundo semestre deste ano. Isso porque os preços dos insumos estão submetidos à influência do câmbio, podendo impactar na elevação dos custos de produção.

Exportações a todo vapor

Balanço divulgado pelo Porto de Paranaguá mostra que 1,48 milhão de toneladas de farelo de soja foram exportadas no primeiro trimestre deste ano, o que representou uma alta de 52% em relação ao mesmo período de 2017.

Em março último, o Porto realizou o seu maior carregamento de grãos em um único navio. Foram 87 mil toneladas em uma embarcação que levou farelo de soja ao mercado europeu.

 

 

Cereal - Primeira safra foi afetada pelo período de chuvas entre o fim e início deste ano. Produtores reduziram a área plantada

Safra de milho encolhe nos Campos Gerais

Com uma área plantada 42% menor nesta safra, o milho resultou em uma produção de 529.377 toneladas. Os produtores dos Campos Gerais colheram praticamente a metade do volume colhido na primeira safra do ano passada, quando o cereal rendeu 1,05 milhão de toneladas.

A produtividade também encolheu, neste caso 13%. A média colhida nas propriedades rurais da região foi de 9.250 quilos por hectare.

Economista do Departamento de Economia Rural (Deral) do núcleo regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Luis Alberto Vantroba, lembra que assim como a soja sofreu com a falta de luminosidade (em função do período chuvoso entre dezembro do ano passado e fevereiro deste ano), o milho também foi afetado, o que impactou diretamente na rentabilidade e consequentemente na produção final, bem como a redução da área destinada ao plantio.  

Esta primeira safra plantada no Paraná está toda colhida, e mais de 70% vendida. São 2,8 milhões de toneladas, quantidade bem diferente das 4,9 milhões de toneladas colhidas no mesmo período do ano passado. A queda chega a 43%.

A área plantada no estado caiu 36% e a perda na rentabilidade foi de 10%. “Foi uma safra pequena e, como na soja, o clima também foi determinante para a perda de produtividade, explica o economista do Deral, Marcelo Garrido.

Cotação

A mesma cotação que levou os produtores optarem por plantar mais soja, por exemplo, apresentou melhora em relação à comercialização no ano passado. A saca que em média era negociada por R$ 21 agora alcança R$ 31.

Embarque

Pelo Porto de Paranaguá, no primeiro trimestre deste ano, 677 mil toneladas de milho foram embarcadas para diversos países, quase o dobro do movimentado no mesmo período de 2017, quando foram exportados 379 mil toneladas do grão. Não há registro de exportação de milho, de janeiro a abril último, através de empresas de Ponta Grossa, conforme o relatório da Secretaria de Comércio Exterior.

Produtores plantarem menos e colheram volume menor de milho (Foto: Arquivo)

 

Segunda safra é marcada pela estiagem

A segunda safra (safrinha) de milho preocupa os produtores devido ao período de estiagem. Em algumas regiões paranaenses foram mais de 30 dias sem chuvas. Nos Campos Gerais a estiagem foi superior a 40 dias (entre abril e início de maio).  

Apesar do solo mais seco, economistas do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) consideram que não há como avaliar precisamente qual será o impacto na produtividade. Neste momento a expectativa é uma colheita de 10 milhões de toneladas no Paraná (13,3 milhões colhidos na safrinha passada) e de 123.975 toneladas nos Campos Gerais.

Para o analista de milho do Deral, Edmar Gervásio, as perdas da segunda safra estão concentradas nas regiões Oeste e Norte do Estado, que ficaram mais de 40 dias sem chuvas. “Essa situação impactou as lavouras e deverá continuar impactando com um período de chuvas insuficientes”. O analista lembrou que as chuvas que ocorreram sobre o Estado na primeira quinzena de maio atenderam as necessidades hídricas na região Oeste, mas não foram suficientes para suprir todo o deficit hídrico dos solos na região Norte e Centro do Estado.

Conforme relatório do Deral, 14% da safrinha está comercializada no Estado, apesar de 69% da cultura se encontrar na fase de frutificação.

 

Qualidade – Grão foi afetado pela estiagem no Paraná. Na região, área de plantio e produtividade menor refletem no volume colhido

Segunda safra de feijão está sendo comercializada

Relatório do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) mostra que 22% da segunda safra de feijão já foram comercializadas até o fim de maio. A cultura se encontrava nas fases de maturação (73%) e frutificação (27%), com 43% da área plantada (200 mil hectares) colhida.

Este feijão foi atingido pela estiagem. Em algumas regiões paranaenses foram mais de 40 dias sem chuvas entre os meses de abril e início de maio. O Deral prevê uma perda de 20% na produção em relação ao potencial produtivo que apontava para uma colheita de 306.384 toneladas no Paraná. A previsão é que 75 mil toneladas já foram perdidas no Estado. O prejuízo foi avaliado inicialmente em R$ 142 milhões, considerando os preços praticados pelo mercado.

Na região de Ponta Grossa, a área plantada recuou 16% na comparação com a segunda safra passada (de 49.570 hectares para 41.750 hectares) e a produtividade 15%, caindo de 2.011quilos por hectare para 1.700 quilos por hectare, com isso a produção deverá encolher 23%.

Mercado

Para o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Alberto Salvador, o consumo de feijão está mudando. O preço do feijão de cor, no Estado, que estava cotado a R$ 90,22 a saca em abril, subiu para R$ 111,54 a saca em maio. E o preço do feijão preto, que era R$ 103,94 a saca em abril, aumentou para R$ 116,88 a saca em maio.

Os preços deverão se manter no varejo, já que existe oferta nos estados do Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás, o que pode suprir a demanda do mercado estadual.

Paraná está colhendo volume menor de feijão devido à estiagem  (Foto: Arquivo)

 

Primeira safra está 100% colhida

O feijão de primeira safra está 100% colhido. A safra está 89% comercializada no Paraná. O produto também foi afetado pelas variações climáticas, o que resultou em produtividade e produção menores.

Na região de Ponta Grossa, o Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) mostra que a rentabilidade encolheu 18% em relação à safra passada, enquanto a produção foi 20%.

Os produtores chegaram a apostar na primeira safra, aumentando a área plantada, que passou de 47.870 hectares para 49.115 hectares, aumento de 3%.

 

Mercado - Plantio do principal cultura de inverno nos Campos Gerais está praticamente finalizado. Cotação não animou os produtores

Trigo ocupa área menor nesta safra

Desde maio, os produtores dos Campos Gerais estão plantando o trigo, principal cultura de inverno. A previsão inicial do Departamento de Economia Rural (Deral) do núcleo regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em Ponta Grossa aponta para um período de plantio até julho, mês ainda previsto no zoneamento, no entanto a maior parte já realizou o plantio.

Para o economista do Deral, Luís Alberto Vantroba, quem plantou em maio contou com uma situação confortável, já que houve um período de chuva antes do plantio. Por outro lado, ele observa que a área plantada será menor que a destinada ao trigo na safra passada. Deve haver uma queda entre 8% e 10% e isto devido à baixa cotação do produto no mercado agrícola.

Na última safra, a área plantada na região foi de 126 mil hectares. A previsão agora aponta para 116,27 mil hectares, podendo mudar a qualquer momento. A produção estimada passará de 392,11 mil toneladas para 406,94 mil toneladas, acréscimo de 12%. “Apesar da redução da área, partimos de uma produtividade esperada normal se o clima permanecer normal”, explica. O rendimento inicial está estimado em 3.500 quilos por hectare, também maior que os 3.112 quilos por hectare obtidos na última safra regional.

Expansão

No Paraná, a área prevista para o trigo é de 1,04 milhão de hectares. De modo geral, segundo o Deral, houve prorrogação do plantio por causa da seca em algumas regiões produtoras.

O engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho, explica que as chuvas no Norte paranaense não foram suficientes para efetivar o plantio com tranquilidade.

Para Carlos, preocupa um pouco a germinação desuniforme do trigo na região Norte. “Na região Oeste, a situação está mais tranquila, mas no Norte, não”, disse. A germinação desuniforme pode prejudicar a produtividade lá na frente, explicou. Agora, o plantio avança para a região Sul que é a mais fria do Estado.

Por enquanto a estimativa de produção permanece em 3,3 milhões de toneladas, volume 48% acima do que foi colhido no ano passado que atingiu volume de 2,2 milhões de toneladas.

 Produtores dos Campos Gerais plantaram trigo ainda em maio (Foto: Divulgação)

 

Cotação atual não é garantia ao mercado

No final de maio não havia trigo nacional no mercado, no entanto a cotação do grão foi a R$ 44 a saca, valor que já remunera o custo variável de produção do cereal, segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho. Ele esclarece ainda que o mercado está ofertando esse valor como forma de estímulo aos produtores a plantarem o trigo. Porém, a cotação não é garantia no período futuro quando for o período de oferta e comercialização.

 

 

Balanço - PR colhe safra de grãos de 22,3 milhões de toneladas; secretário destaca inovação  

Apesar da queda, safra é excelente no Paraná

Relatório da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) mostra que o Paraná finalizou a colheita da safra de grãos de verão 2017/18 com uma produção de 22,3 milhões de toneladas, 12% menor que a de 2016/17. Por outro lado, está previsto para o ano uma safra de 38,9 milhões de toneladas de grãos, queda de 7% em relação ao ano passado (41,6 milhões de toneladas).

O volume menor tem explicação nos problemas climáticos ocorridos durante o ciclo dos cultivos de feijão, milho e soja. Houve excesso de chuvas entre dezembro do ano passado e fevereiro deste e estiagem superior a 40 dias entre abril e maio. Mesmo com a queda, a Seab avalia a safra como excelente.

Para o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), Francisco Carlos Simioni, não fosse o fator climático, as safras de milho e soja teriam resultados semelhantes aos da safra 2016/17, que foi considerada excepcional. Esse foi o fator que puxou para baixo as produtividades em torno de 10% para o milho e 7% para a soja.

Por outro lado, ele considera que os preços das commodities estão compensando o encolhimento da rentabilidade. A soja traz um ganho médio de até R$ 18 por saca, enquanto o milho apresenta ganho médio de R$ 10 em saca.

Inovação

O secretário da Seab, George Hiraiwa, observa que com relação à intempérie climática não há muito o que fazer, no entanto o investimento em tecnologia e inovação é um fator importante. “A estação meteorológica ajuda a prevenir na questão das quebras”, observa.

George comenta que na greve dos caminhoneiros, em maio, o investimento em inovação realizado nos Campos Gerais ajudou a amenizar perdas no setor leiteiro, por exemplo. “Até onde eu sei o leite produzido na região, que tem todo um respaldo tecnológico da Fundação ABC e da Frísia, durou alguns a mais que o leite de outras regiões, ou seja, devido à excelência na qualidade da produção”, diz.

O secretário participou da Digital Agro, que aconteceu os dias 13 e 14 de junho em Carambeí. “Estive na Digital Agro para estar mais perto e realmente eu elogiei a postura dos dirigentes das cooperativas e do presidente, Renato [Greidanus] da Frísia, pela iniciativa de sempre estar trazendo inovações e novidades para os cooperados”, conta.

George: secretário destaca inovação e tecnologia no campo (Foto: Divulgação)

 

 

Desempenho - Um dos objetivos da Biotrigo é adequar a genética à realidade encontrada em cada região tritícola brasileira

Biotrigo: uma das maiores redes de pesquisa de trigo do Brasil

Adaptar as cultivares para diferentes realidades é um dos trabalhos de pesquisa desenvolvidos pela Biotrigo Genética. No Brasil, são feitas avaliações de cultivares em 47 locais distribuídos em todas as regiões tritícolas, que compreende os estados da Bahia, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Segundo o gerente de Experimentação da Biotrigo Genética, Giovani Facco, os ensaios são distribuídos estrategicamente em cada região dentro dos estados com o objetivo de contemplar o máximo da variabilidade existente. “Para cada local de ensaio, testamos novas linhagens visando avaliar adaptabilidade, estabilidade, resistência a doenças e qualidade industrial”, explica.

As novas linhagens a serem testadas são submetidas a condições de manejo semelhantes ao enfrentado na produção de trigo de escala comercial. “Isso possibilita a nossa equipe de profissionais tomar decisões e verificar a superioridade dos materiais em desenvolvimento em relação as cultivares disponíveis no mercado”.

O produtor Osmar Esquizatotem 240 hectaresde trigo Arapuã/PR. É um dos parceiros de pesquisa da Biotrigo e mantém uma área experimental reservada para os testes. “A pesquisa está sempre voltada a solucionar problemas de determinadas regiões. Além disso, os testes ajudam a saber realmente o desempenho das cultivares em diferentes realidades e isso tudo nos ajuda na tomada de decisão mais assertiva”. Na última safra, em algumas áreas a produtividade chegou a 83 sc/ha. Na média geral, o rendimento foi de 75 sc/ha. Para ele, nos últimos anos, é possível notar a evolução da cultura. “Além dos ganhos produtivos foi possível observar cultivares com maior resistência a doenças”, conta.

Mais de uma década de pesquisas até o lançamento

O trabalho de testes de novas linhagens a campo percorre um longo período antes de chegar ao produtor. Giovani explica que, após 4 a 7 anos de testes, e de ser comprovada a superioridade das linhas em desenvolvimento em relação as cultivares disponíveis no mercado, um seleto grupo de futuras cultivares é encaminhado aos ensaios de VCU (Valor Cultivo e Uso), onde os órgãos fiscalizadores e normativos podem comprovar a viabilidade desta linhagem em se tornar uma cultivar. “Somente após atender todos os critérios impostos pela normativa vigente é que a linhagem está liberada para multiplicação em empresas certificadas, e assim, em um período 2 a 4 anos estar disponível ao produtor”. Ao todo, são necessários de 8 a 11 anos do cruzamento inicial até que uma linhagem se torne uma cultivar e seja disponibilizada ao produtor. “Portanto requer um alto investimento em tempo, material humano e de pesquisa”. Em 2017, por exemplo, foram semeadas 19.400 parcelas com o objetivo de avaliar produtividade, qualidade industrial e resistência a doenças.

Em 2017, testes foram realizados com mais de 19 mil parcelas de trigo semeadas em 47 áreas (Divulgação/Biotrigo)

 

Otimismo - Recursos liberados para o financiamento da safra nos Campos Gerais seguem crescentes. Instituições apostam no relacionamento com os produtores 

Bancos e cooperativas estão prontos para atender demanda rural

Os bancos e as cooperativas de crédito que operam nos Campos Gerais estão prontos para atender a demanda do setor rural. A cada nova safra as instituições financeiras disponibilizam um valor suficiente principalmente para o custeio agrícola, que envolve as linhas mais procuradas pelos produtores da região. Anualmente, o volume disponibilizado pelas administradoras de recursos vem aumentando e com o novo Plano Safra cresce as expectativas positivas em torno dos financiamentos. Confira o que dizem os representantes das instituições financeiras.  

Caixa Econômica

“Na região dos Campos Gerais, neste ano safra, a Caixa já liberou mais de R$ 520 milhões em recursos para crédito rural. Ainda temos recursos disponíveis para muitas linhas, com a expectativa de liberação de mais R$ 100 milhões até final de junho.

A cada ano a Caixa aumenta sua participação no mercado de crédito rural, ampliando o portfólio e conquistando mais clientes. Nos Campos Gerais, a carteira de crédito registrou um crescimento de 9,6% em relação a maio de 2017.

Para atrair os produtores, a Caixa tem agências habilitadas a operar o crédito rural em todas as cinco regiões brasileiras, evidenciando sua capilaridade, a sua presença nacional e a completa proximidade ao cliente produtor rural, com participação nos principais eventos do setor, oferecendo seu atendimento diferenciado in loco, com stand ou Caminhão Agência da Caixa.

O principal diferencial da Caixa é a agilidade e simplicidade na concessão dos créditos, além de ter completa disponibilidade de recursos. Para as operações de custeio agrícola de até R$ 500 mil, a Caixa oferece um processo simplificado, em que a análise técnica da proposta ocorre de forma online, diretamente na agência.

Neste ano safra, a Caixa tem atuado com taxas promocionais, até o final de junho, em todas as suas linhas de crédito rural. Os produtores do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) podem contar com a redução nas taxas do custeio de 7,5% para 6,7% ao ano, e taxas de 7,7% para os demais produtores. Agroindústrias e cooperativas tem taxas promocionais, abaixo da média de mercado.

Nos Campos Gerais, as linhas mais procuradas são a de custeio de soja e milho, além do custeio pecuário e recursos para a safra de inverno.

A Caixa aguarda as novas regras do Plano Safra, a fim de verificar o que pode ser feito para ampliar o apoio aos produtores de todo o Brasil. Quando houve a flexibilização das taxas de juros dos recursos controlados, por exemplo, a Caixa foi o primeiro banco a operar com taxas diferenciadas no varejo”. As informações são do superintendente regional da Caixa em Ponta Grossa, Adriano Resende.

 Adriano Resende: “o principal diferencial da Caixa é a agilidade e simplicidade na concessão dos créditos” (Foto: Arquivo)

 

Banco do Brasil

“O Banco do Brasil liberou para a safra de grãos 17/18 nos Campos Gerais R$ 1,72 bilhão até o momento, devendo chegar a R$ 2,1 bilhões até 30 de junho próximo.

A liberação de recursos para as safras vem crescendo. Na 2016/2017 foram liberados R$ 1,88 bilhão e a previsão para 2017/2018 é de ultrapassar R$ 2,1 bilhões, o crescimento projetado é de 11%. Para a safra 2018/2019, a previsão é de algo em torno de R$ 2,3 bilhões.

O Banco do Brasil é o maior e mais tradicional apoiador do agronegócio e da agricultura familiar, dispondo de vasta gama de produtos e serviços para atendimento a todas as demandas dos produtores, inclusive nos momentos de crise, quando sempre buscamos soluções adequadas para viabilizar continuidade das atividades de nossos clientes, demonstrando que mantemo-nos lado a lado em todos os momentos.

Todos os produtos do banco têm bastante procura e farta disponibilidade de recursos, e as modalidades de custeio são as mais procuradas na região, seguidas por investimento para todos os tipos de atividade rural.

O Banco do Brasil oferece seguro aos produtores. O produto é o BB Seguro Agrícola Faturamento, que garante parte da renda do produtor, cobrindo além dos riscos de intempéries climáticas, eventuais problemas de preço, bem como cobertura de replantio.

A procura pelo produtor da garantia de renda tem aumentado ano após ano, pois o produto, completo desta forma, é exclusividade do Banco do Brasil e reforça a preocupação e o compromisso do banco com a sustentabilidade das atividades de nossos clientes.

Nossa expectativa principal com o anúncio do novo Plano Safra, assim como de toda a classe produtora, é de que, a exemplo dos anos anteriores, sejam disponibilizados recursos em volume suficiente para atendimento à demanda, e o Banco do Brasil mais uma vez será o braço forte no apoio ao produtor rural, atendendo a todas as suas necessidades, de forma cada vez mais rápida e inovadora”. As informações são do superintendente Regional de Varejo do Banco do Brasil em Ponta Grossa, Eduardo Camargo Hoog.

Eduardo: "o Banco do Brasil mais uma vez será o braço forte no apoio ao produtor rural" (Foto: Arquivo)

 

BRDE

“O contato do BRDE com os produtores rurais acontece de duas maneiras: o produtor pode procurar diretamente o BRDE ou através de nossos parceiros locais, como por exemplo as cooperativas de produção, cooperativas de crédito ou revendas de equipamentos. Nos Campos Gerais temos as cooperativas como Castrolanda, Frísia ou Capal, o Sicredi, e as revendas como Global Tratores e Macponta.

Na próxima safra, pretendemos superar a aplicação de 17/18, já que nos últimos anos temos ampliado nossa participação na região. O banco depende ainda dos limites que serão disponibilizados pelo BNDES. Em relação ao novo Plano Safra, o BRDE espera uma redução nas taxas para o produtor, possibilitando a retomada do investimento.

O BRDE atende produtores de todos os portes e de todas as atividades. Ao longo dos últimos anos percebemos uma maior preocupação/conscientização com as questões ambientais, como um correto tratamento de resíduos, controle mais eficiente no uso de agroquímicos e, de forma geral, um manejo mais adequado dos recursos, com pensamento de longo prazo. É o crescente compromisso de todos com a sustentabilidade. Também observamos uma maior profissionalização na gestão das propriedades rurais e um maior uso de tecnologias e inovações, tanto nos produtores médios e grandes quanto nas propriedades familiares. Aqui nos Campos Gerais temos diversos clientes familiares que trabalham com alta tecnologia na pecuária leiteira.

Todos os projetos com componentes de sustentabilidade recebem o selo BRDE PCS – Produção e Consumo Sustentáveis quando são protocolados. Com este selo, os projetos recebem prioridade de análise e podem receber reduções nas tarifas. Quanto a linhas de financiamento, podemos destacar o Programa ABC – Agricultura de Baixo Carbono. Essa linha apresenta uma taxa de juros muito competitiva e financia projetos, por exemplo, de tratamento de dejetos agrícolas, recuperação de áreas degradadas, implantação de sistemas orgânicos, integração lavoura-pecuária-floresta, entre outros.

O BRDE procura sempre apoiar não só os produtores, mas as cooperativas e feiras agropecuárias. No caso do apoio às cooperativas o BRDE entende que é uma forma de agregar valor à produção no campo, principalmente nos investimentos para as industrias, como foi o caso do leite nos Campos Gerais nos últimos anos. Já o apoio às feiras agropecuárias é uma oportunidade de levar ao produtor a informação de todas as possibilidades de financiamento existente, aproximando o banco dos clientes”. As informações são do presidente do BRDE, Orlando Pessuti.

O quanto o BRDE emprestou na safra 17/18 no PR e nos Campos Gerais     

Plano Safra 2017/2018

 

Campos Gerais

26.304.978,22

11,70%

PR

224.801.619,76

 

 

 

 

Empresarial jul/2017 - mai/2018

 

Campos Gerais

34.944.880,00

15,92%

PR

219.459.674,85

 

 

Montante emprestado nos Campos Gerais (modalidades )

Valores em R$

Campos Gerais jul/2017 – mai/2018

Pronaf

926.800,00

Pronamp

233.602,09

Inovagro

14.270.776,13

Moderagro

435.000,00

PCA

2.291.800,00

Prodecoop

8.147.000,00

Total

26.304.978,22

 

 

Empresarial

34.944.880,00

 

 

Total

61.249.858,22

 

 Orlando Pessuti: “na próxima safra, pretendemos superar a aplicação de 17/18, já que nos últimos anos temos ampliado nossa participação na região” (Foto: Arquivo)

 

Sicredi Campos Gerais

“O volume de recurso liberado pela Sicredi para a safra de grãos 17/18 na região dos Campos Gerais foi R$ 500 milhões. A liberação vem crescendo. No ano passado crescemos 40% em volume de recursos liberados. Pretendemos liberar R$ 600 milhões neste ano safra.

Acreditamos que nosso atendimento mais próximo e amigo faz a diferença na escolha pelo Sicredi como instituição financeira, bem como a nossa participação ativa na comunidade. Além disso, a distribuição dos resultados também pesa a nosso favor.

A expectativa com o anúncio de um novo Plano Safra é de um cenário que aponta para redução nas taxas de juros ante a queda da Selic. Também esperamos medidas governamentais que possibilitem avançarmos no volume de recursos a financiar.

A Sicredi nasceu no agronegócio portanto sempre financiou esse segmento. Diante do crescimento da cooperativa, pudemos crescer significativamente ano a ano no volume de recursos em financiamentos, seja em custeio ou investimento. Quanto mais pudermos atender em credito rural, mais fidelidade obtivemos junto ao associado”. As informações são do diretor executivo da Sicredi Campos Gerais, Marcio Zwierewicz.

Marcio Zwierewicz: “acreditamos que nosso atendimento mais próximo e amigo faz a diferença na escolha pelo Sicredi como instituição financeira” (Foto: Arquivo)

 

Fomento - Safra agrícola 2018 no estado terá até R$ 10,3 milhões para subvenção do seguro das principais culturas agrícolas produzidas no estado

Paraná é o estado que mais faz seguro rural no país

O programa de Subvenção ao Prêmio de Seguro Rural (PSR/PR), que completa dez anos de atividade em 2018, tornou o Paraná o estado que mais faz Seguro Rural no país.

Desde 2011 o Estado já aplicou R$ 30 milhões em subvenções do Seguro Rural e outros R$ 10,3 milhões estão previstos para cobertura da safra 2018.

O programa é coordenado pela Secretaria da Agricultura e os recursos são do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE), que é gerenciado administrativamente pela Fomento Paraná, uma instituição financeira de desenvolvimento do Governo do Estado.

O seguro rural ajuda a reduzir perdas da produção, garantindo alimentos na mesa dos brasileiros e assegurando a produtividade e a sustentabilidade nas propriedades rurais, ao proteger a renda e permitir a manutenção do padrão tecnológico.

O programa consiste de um subsídio que o governo concede aos pequenos e médios agricultores para incentivar os produtores a fazer seguro e assim minimizar os riscos climáticos, biológicos ou de mercado a que a produção agrícola está sujeita.

A liberação do seguro rural, anunciada no início de março, durante o Show Rural da Coopavel, normalmente coincide com o início do plantio nas áreas de produção de feijão, de milho da segunda safra e do período de pré-custeio da safra de trigo e demais grãos da safra de inverno.

Milho, trigo, feijão e frutas como maçã e uva são as culturas agrícolas de maior risco na região e por isso são as que mais se utilizam do Seguro Rural, que cobre 21 culturas no estado.

O Paraná é o primeiro produtor nacional de feijão, trigo e cevada e o segundo em soja e milho. A produção dessas culturas envolve uma produção de mais de 12 milhões de toneladas de grãos e frutas em uma área que ocupa mais de 3,6 milhões de hectares.

A subvenção estadual cobre parte do valor do prêmio que o produtor paga para contratar o seguro da sua lavoura. Ela acontece em dois níveis, no federal que subvenciona até 45% do valor do prêmio e dos 55% que restaram para o produtor o Tesouro do Estado subvenciona 50%.

O subsídio está limitado a R$ 4.800,00 por CPF. Os recursos liberados para 2018 devem atender mais de 4000 apólices do Seguro Rural no estado, o que representa cobertura para aproximadamente 200 mil hectares de área produtiva.

Seguro rural ajuda a reduzir perdas da produção, garantindo alimentos na mesa dos brasileiros (Foto: Divulgação)

 

3,4 mil produtores paranaenses com subvenção

Nenhum estado no Brasil mantém uma subvenção com as dimensões que são operadas no Paraná. Apenas em 2017 aproximadamente 3,4 mil produtores paranaenses receberam subvenção no valor do prêmio de suas apólices com recursos do estado.

De acordo com o ex-secretário de estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, os recursos liberados pelo governo nos últimos anos ampliam a base do seguro rural e estimulam a competitividade para que os agricultores tenham opões mais baratas.

“Entendemos que o seguro é necessário para o fortalecimento da agricultura e para proteger os empreendimentos”, avalia Ortigara “É preciso ampliar o volume de recursos e a área segurada, como forma de manter a atividade agropecuária protegida de riscos incontroláveis, evitar o endividamento agrícola e propiciar à atividade produtiva o planejamento adequado e tempestivo das atividades agrícolas na propriedade rural”, arremata.

Governo apoia a produção na agricultura familiar (Foto: Divulgação)

 

Aval para os agricultores

Fomento Paraná também é gestora do Fundo de Aval Garantidor da Agricultura Familiar do Paraná (FAR). O fundo provê recursos para garantir o risco das operações contratadas por agricultores beneficiários do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), junto à rede bancária conveniada. Em valores históricos, esse fundo já beneficiou 13.811 tomadores de crédito rural, tendo alavancado mais de R$ 100 milhões em créditos do Pronaf operados pelo Banco do Brasil.

A Fomento Paraná também projetos de investimento para empreendedores de micro, pequeno, médio e até grande porte, da indústria, do comércio, do setor de serviços e até pequenos agricultores. Desde 2011 até março de 2018 foram contratados mais de R$ 962,6 milhões para apoiar esses empreendimentos em todo o Paraná.

Destaca-se o microcrédito, que responde por mais de 85% dos contratos da Fomento Paraná, em média, por ano. Desde 2011, foram contratados R$ 254 milhões em operações de microcrédito que beneficiaram 25.354 empreendimentos em 315 municípios de todas as regiões do estado.

Produtores podem contar com o Pronaf (Foto: Divulgação)

 

Prêmio do seguro rural no Paraná

Ano    Valor (R$)

2009   R$ 2.448.133,20

2010   R$ 1.366.631,85

2011   R$ 1.275.682,40

2012   R$ 6.810,33

2013   -

2014   R$ 6.990.914,74

2015   R$ 6.433.865,72

2016   R$ 6.334.620,60

2017   R$ 8.889.232,19

2018   R$ 10.350.000,00

Fonte: FDE/Fomento Paraná

 

Força - Cooperativas agropecuárias do Paraná são responsáveis por um faturamento anual de aproximadamente R$ 57 bilhões

Ocepar: o auxílio a mais de 160 mil produtores cooperados

As cooperativas agropecuárias do Paraná reúnem 167.563 produtores cooperados, responsáveis por um faturamento anual de aproximadamente R$ 57 bilhões (2017), ou seja, movimentação econômica diária de R$ 150 milhões, gerando empregos e distribuindo riquezas nos 399 municípios. Cerca de 60% da produção de grãos no Paraná passam pelas cooperativas, 50% da ração, 53% do beneficiamento de leite, 57% do abate de suínos, 37% das aves.

Mas como se dá o trabalho realizado pela Ocepar e de que forma as ações chegam até os produtores rurais? “O cooperativismo caracteriza-se por uma forma de produção e distribuição de riquezas baseada em princípios como ajuda mútua, igualdade, democracia e equidade. Os produtores que aderem às cooperativas agrícolas descobrem as vantagens de atuar coletivamente, contribuindo para manter o agricultor no campo, fomentando a comercialização de seus produtos e fornecendo serviços a seus cooperados”, explica o presidente da Ocepar, José Roberto Ricken.  

Entre os benefícios oferecidos à classe estão a inclusão de produtores, independentemente de seu tamanho e sistema de produção; coordenação da cadeia produtiva desde os insumos até o consumidor final; geração e distribuição de renda de forma equitativa; prestação de serviços e o acesso para a adoção de tecnologias aos seus cooperados (assistência técnica qualificada); economias em escala nos processos de compra e venda, reduzindo custos; acesso a mercados, que isoladamente seria mais complicado; agregação de valor à produção dos cooperados através da industrialização de sua produção e eliminação do intermediário da cadeia produtiva, permitindo acesso direto do produtor com o consumidor final de sua produção, reduzindo seu custo.

Ricken: “60% da produção de grãos no Paraná passam pelas cooperativas” (Foto: Divulgação)

 

Cooperação traz mais força ao setor

Para o presidente da Ocepar, José Roberto Ricken, “cooperar significa unir forças para alcançar propósitos maiores. Essa é a ideia central do cooperativismo”. “Cooperando, certamente é possível ganhar mais força, mais escala e mais apoio para a realização de objetivos comuns entre os cooperados”, completa.

Ricken cita algumas vantagens em aderir ao cooperativismo. Confira.

- O cooperado é dono do negócio: a gestão é democrática e transparente. O cooperado pode participar da gestão de sua cooperativa, sugerindo, opinando, denunciando falhas, propondo soluções e defendendo suas ideias.

- Todos têm o mesmo poder de voto: o poder de decisão não está vinculado a posses nem a ações. Todos podem acompanhar as políticas e a evolução da instituição, participando de todas as decisões (um sócio = um voto).

- Maior resultado: enquanto o capitalismo busca o lucro individual, o cooperativismo busca vantagens comuns para todo o grupo através da eliminação do atravessador no mercado.

- Participação no resultado: como uma cooperativa não visa lucros, quando há sobras, elas são repartidas entre todos os associados, conforme a participação de cada um nas atividades da instituição.

- Ganhos para a comunidade: as cooperativas têm um compromisso com o desenvolvimento de sua região; devem respeitar as peculiaridades sociais e a vocação econômica do local, desenvolvendo soluções de negócios e apoiando ações humanitárias e socioambientalmente sustentáveis, voltadas ao desenvolvimento da comunidade onde estão instaladas.
 

Profissionalização leva ao crescimento

Apesar das dificuldades que o setor apresenta, o presidente da Ocepar, José Roberto Ricken, observa que o número de cooperados vem crescendo nos últimos anos.  “Isso mostra o alto grau de profissionalização das cooperativas existentes que têm crescido de forma consistente e ganhado a confiança de milhares de pessoas, que veem no modelo cooperativista a melhor forma de se desenvolverem, alcançarem seus objetivos e ainda contribuir para a melhoria da comunidade onde vivem”, diz.

Para o presidente, o acesso ao crédito rural, excesso de burocracia nos órgãos regulatórios do agronegócio, o processo de sucessão no campo (como tornar atrativo aos jovens permanecerem na propriedade), a falta de recursos para o programa de seguro rural em âmbito nacional e a concentração do mercado em poucas empresas, são algumas das dificuldades enfrentadas hoje.

Ocepar em números

221 cooperativas filiadas ao Sistema Ocepar no Paraná;

Do total, 69 cooperativas são agropecuárias;

33% da população do Paraná está ligada direta ou indiretamente ao cooperativismo;

As cooperativas representam 58% do PIB agropecuário do Estado.

Fonte: Ocepar

 

R$ 542 bilhões - Valor Bruto da Produção tem força em culturas como a soja, grão de verão que segue com boa safra 

O que a agricultura representa no campo

Dos R$ 542 bilhões estimados para o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBPA) neste ano, 67,6% virão das lavouras brasileiras (R$ 366,2 bilhões), enquanto que 32,4% da pecuária (R$ 175,8 bilhões). O faturamento geral será 2,4% menor que em 2017, quando o VBPA atingiu R$ 555,4 bilhões.

A soja e o trigo nacional estão entre os produtos com melhores potenciais de desempenho. O grão de verão representa 7,1%, já o trigo – principal cultura de inverno – aparece com 44%. O VBP da soja está estimado em R$ 129,85 bilhões. Aparecem na listagem o algodão (23,7%), amendoim (4%), cacau (22,2%), café (5,6%), mamona (160,6%) e o tomate (26,2%).

O coordenador-geral de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Garcia Gasques, avalia que “são dois os produtos com os maiores valores já obtidos na série estudada. O algodão que vem se destacando pela expansão de área e por preços maiores, neste ano supera o valor da produção do café, que tradicionalmente tem sido maior.”

Por outro lado, no grupo que vem apresentando resultado negativo estão   arroz (- 20,4%), banana (-4,6%), cana de açúcar (-5,5%), feijão (-24,9%), laranja (-22,7%), mandioca (6%), milho (-7,8%) e uva (-32,3%).

Neste caso, a explicação está na combinação de menores preços e quantidades, mas isto não se aplica ao milho e a cana, onde a queda de valor é proveniente da produção mais alta – em algumas regiões – neste ano.

  
  
 

NOVO - Financiamento tem juros reais reduzidos para custeio, comercialização e investimentos. Recursos poderão ser acessados a partir de 1° de julho

Plano Agrícola e Pecuário traz R$ 194,3 bilhões

Com redução de 1,5 ponto percentual nas taxas de juros do crédito rural, o presidente Michel Temer anunciou, no dia 6 de junho último, junto com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, R$ 194,37 bilhões para financiar e apoiar a comercialização da produção agropecuária brasileira. Os recursos do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2018/2019 poderão ser acessados pelos agricultores entre 1º de julho deste ano e 30 de junho de 2019.

Do montante, são destinados R$ 151,1 bilhões para o crédito de custeio, sendo R$ 118,8 bilhões com juros controlados (taxas fixadas pelo governo) e R$ 32,3 bilhões com juros livres (livre negociação entre a instituição financeira e o produtor). O crédito para investimentos ficou em R$ 40 bilhões.

Além dos recursos de crédito para custeio e para investimentos de R$ 191,1 bilhões, estão sendo destinados R$ 2,6 bilhões para o apoio à comercialização (Aquisição do Governo Federal, contratos de opções, Prêmio para Escoamento do Produto, Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural) e R$ 600 milhões para subvenção ao seguro rural.

O ministro Blairo Maggi destacou ganhos de produtividade e de eficiência do setor durante seu discurso. “Na medida em que ficamos mais fortes e presentes no mundo, enfrentamos mais resistências. E concorrentes se voltam contra o Brasil. É nesse momento que o protecionismo mostra suas garras e o país sofre fortemente. Mas o objetivo é continuar a crescer cada vez com o uso da ciência e da tecnologia”.

Como avanço do plano 2018/2019, Maggi lembrou dos recursos para armazenagem com juros atrativos. Disse também que o setor mais capitalizado, tem produtores em condições de realizar investimentos e de custear a produção com recursos próprios, além de ser crescente a presença do setor privado como financiador. Segundo o ministro, a necessidade de financiamento do agro é de R$ 390 bilhões ante os R$ 191,1 bilhões de fontes oficiais ofertados (a diferença em relação aos R$ 194,3 bilhões se refere a seguro rural e apoio à comercialização).

“Hoje, 50% da produção não depende mais do crédito oficial e outros agentes estão também chegando para financiar. Com a política responsável do governo, produtores também estão bancando sua própria produção. Com o passar tempo, o setor vai ganhando condições para andar sozinho”, diz Maggi.

 Participam do anúncio feito por Temer os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Blairo Maggi (Agricultura) e Eduardo Guardia (Fazenda), além de João Martins, presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), empresários e políticos (Foto: Divulgação)

 

Linhas de crédito direcionadas

Para o apoio ao setor cafeeiro, o Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira) está destinando R$ 4,9 bilhões para financiamentos de custeio e de comercialização.

As taxas de juros de custeio foram reduzidas para 6% ao ano para os médios produtores (com renda bruta anual de até R$ 2 milhões) e para 7% ao ano para os demais. Já as taxas para os financiamentos de investimento ficaram entre 5,25% a.a. e 7,5% a.a.. Parte dos recursos captados em Letras de Crédito do Agronegócio será destinada ao financiamento complementar de custeio e de comercialização, com juros de até 8,5% ao ano.

Outros destaques são o maior apoio para o financiamento de construção de armazéns com capacidade de até 6 mil toneladas nas propriedades dos pequenos e médios produtores rurais e à recuperação de reserva legal e de áreas de preservação permanente no âmbito do Programa ABC. Para essas finalidades, o governo concede taxas de juros favorecidas de 5,25% a.a..

Medidas para todos os setores

O Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono), que objetiva financiar práticas e tecnologias agropecuárias sustentáveis, a exemplo dos sistemas integrados Lavoura-Pecuária-Floresta, teve o limite alterado de R$ 2,2 milhões para R$ 5 milhões para todas as finalidades financiáveis. A implantação de florestas comerciais já previa esse limite de financiamento.

A pecuária também foi beneficiada com as medidas do governo. O apoio contempla prazo de até dois anos no crédito de custeio para a retenção de matrizes bovinas de leite, suínas, caprinas e ovinas. Também foi aprovada linha de financiamento de até R$ 50 milhões para capital de giro a cooperativas de leite, com juros de 7% a.a. e 12 meses de prazo para pagamento.

Os pecuaristas também podem contar com empréstimos para aquisição de animais para reprodução ou criação, a juros controlados de 7% ao ano e limite de R$ 450 mil por beneficiário no ano agrícola.

Para melhorar a produtividade pecuária e a qualidade do rebanho, foi reforçado, dentro do Inovagro (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária), o apoio para aquisição de matrizes e reprodutores com registro genealógico. O limite de financiamento para essa finalidade aumentou de R$ 330 mil para R$ 650 mil por beneficiário.

O limite de renda para o enquadramento dos produtores rurais no Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural) foi aumentado. Agora o limite é de R$ 2 milhões, ante R$ 1,76 milhão na safra anterior. Além desse benefício, o produtor rural conta com mais flexibilidade para ser enquadrado no Pronamp e se beneficiar das condições do Programa, sendo revogada a condição que exigia ser de no mínimo 80% da renda para enquadramento oriunda das atividades agropecuárias.