Psicologia em pauta
A difícil e importante tarefa de educar

Lílian Yara de Oliveira Gomes

CRP  08/17889

 

 

Recentemente, comemoramos o Dia da Criança, que coincide com as comemorações do Dia de Nossa Senhora  Aparecida, padroeira do Brasil. Porém, é acerca do Dia da Criança, que vou me referir.

Como colocado, no título, é “difícil e importante educar”; estamos vivendo uma época de tanto distanciamento, que observei que na maioria das redes sociais as indicações e mensagens, eram no sentido de “menos presentes e mais presença”. E, dessa forma, avaliei o quanto estão fazendo falta as trocas, as brincadeiras compartilhadas, o diálogo, a presença.

Escutei a seguinte fala: “só existe troca, se tiver presença”. Mas, muitas vezes tem presença, porém não tem troca. Cada um está no seu mundo virtual onde o afeto fica prejudicado. Já vi cenas em que filhos estão “clamando” a atenção dos pais e eles nem ouvem e/ou percebem.

Não só no Dia das Crianças, estipulado no dia 12 de Outubro, estar com elas é todo dia! O brincar é responsável pelo desenvolvimento de habilidades, de desenvolvimento cognitivo, de manifestação de afeto, estimulando a criatividade. As crianças têm que deixar de ser passivos, têm que interagir e construir seus brinquedos, o “faz de conta” é muito sadio para seu crescimento cognitivo e afetivo.

Atualmente, elas têm muitas atividades além das escolares: são aulas de línguas, academia, reforço escolar, ballet, etc e os pais se queixam, “virei motorista dos filhos”!

De acordo com Helenice Augusta da Cunha, Supervisora Educacional na Prefeitura Municipal de Baependi (MG),“o grande desafio é superar a falta de intimidade, diálogo e a falta de tempo para estar junto, para se conversar, brincar, dar beijos, passear, levá-lo para a escola e participar de sua vida.

Toda essa falta vem gerando pais e filhos emocionalmente instáveis, insensíveis e inseguros.

Pais suprem a necessidade material de seus filhos, mas não conseguem suprir a carência emocional, não conseguem tocar o coração.

Assim se forma uma geração de pais que aceitam que seus filhos tomem o comando da situação e até lhes falte com o respeito, só que esses filhos, são imaturos, inconsequentes e poderosos. É a inversão de papeis: se no passado filhos tudo faziam para agradar seus pais, hoje são os pais que fazem tudo para ter a amizade de seus filhos, não medindo esforços para “tudo dar” e esquecem o principal, de “tudo dar” no mundo afetivo.

Criam-se filhos que preferem assistir televisão, jogar vídeo game, ficar na internet, mexer no celular do que conversar ou sair com os pais.

Pais que não conseguem ter vínculo afetivo com o próprio filho, sentem vergonha de conversar, de tocar, de aconselhar, de ouvir.

Crianças que passam o tempo todo chamando atenção dos pais e professores, pois estão sempre inquietos, barulhentos e agitados. Não conhecem limites, desconhecem o “não” e o significado do “sim”, pois o sim só tem valor para quem conhece o não.

Aponta a referida autora, que, o grave é que estamos convivendo com crianças extremamente inteligentes, capazes e sabem exercer um “poder”, que pensam que tem. Crianças ditas “hiperativas”, que chegam a ser medicadas enquanto na verdade só precisam de um referencial de alguém que lhes imponha limites. Os pais precisam compreender que quem exerce o comando são eles, que é preciso disciplinar, mostrar caminhos, se colocar à frente, liderar, exercer seu poder de pai e de mãe, não de forma abusiva, mas como aquele que se faz respeitado e amado.

Enfim, é preciso criar vínculo, lembrando que seu filho clama por limites.

“Os filhos não precisam de pais gigantes, mas de seres humanos à sua linguagem e sejam capazes de penetrar-lhes o coração”. ( Augusto Cury)