Psicologia em pauta
Ano Novo-Feliz 2020

Lílian Yara de Oliveira Gomes

CRP  08/17889

Tempo de reavaliações. Nessa época tudo nos leva a repensar a vida, o tempo, os sonhos, as realizações. Muitos questionamentos e abertura para o novo, para a esperança de que com o ano que se aproxima, situações melhorem, sonhos se realizem, desejos se concretizem.

Segundo o Blog Psicoterapia, Psicanálise, Saúde Mental e Humanidades: http://www.reneschubert.blogspot.com/, algumas das falas de pacientes de consultório, foram transcritas às quais também me deparo em meu consultório, podem ilustrar o que ocorre psicologicamente neste período de final de ano: "Não é minha época preferida não – na verdade odeio É um período em que muitos pacientes tem crises depressivas ou surtos psicóticos. Outros abusam excessivamente do álcool ou de outras substancias, tornando-se inconsequentes e denunciando desta forma que algo não está muito bem internamente. "Não consigo ficar sorrindo e achando tudo lindo, acho muito hipócrita"; "Me sinto muito sozinha e triste esta época"; "Sinto um aperto no coração, acabo ficando isolada"; "Não suporto as reuniões da família – eu por mim ia para um lugar mais afastado"; "Tem muito barulho, as pessoas ficam estranhas"; "Tudo fica parado, e triste, você não acha?".

“Como explicar este fenômeno, de uma parcela da sociedade sentir-se alheia, afastada, triste, desgostosa, numa época marcada por festejos, renovação de votos e reuniões com colegas, amigos e família. Do ponto de vista psicológico pode-se apontar que este fenômeno encontra sua explicação em dois fatores principalmente: a comunhão com a família, amigos, colegas e naquilo que o final de ano marca, ou seja fechamento de ciclo, realização de metas e estabelecimento de novas metas, projetos”.

“Para muitos, o final de ano é marcado pelo fracasso e frustração em diversas metas estabelecidas, por exemplo: não se conseguiu a promoção desejada, não parou de beber ou fumar, não está satisfeito com o relacionamento, não consegue desenvolver relacionamentos com amigos ou amorosos, o ano foi marcado por cisões e desentendimentos, há muitas dívidas financeiras, não se alcançou o peso ou imagem corporal desejada”.

“No final de ano fazemos geralmente, consciente ou inconscientemente uma revisão de como foi o ano e o que ficou marcado. E se para a pessoa ficaram marcados insucessos e dificuldades, seja na vida relacional, na vida profissional ou em relação à ambição pessoal, o final de ano torna-se um fardo pesado e indigesto”. Sabemos que a capacidade em lidar com frustrações e dificuldades conta muito nesta situação. E percebemos que muitas pessoas se fragilizam e adoecem neste período exatamente por não suportar a pressão, interna e externa, que aponta para felicidade, sucesso e realizações.

“Por vezes apenas algumas crenças e imagens internas que a pessoa tem em relação a si e em relação ao mundo precisam ser revistas, trabalhadas e resignificadas. Em outros casos é preciso fazer um trabalho mais profundo com a pessoa e talvez com os familiares. Algumas feridas psíquicas são superficiais e outras são muito antigas e profundas. O tratamento precisa ver o indivíduo como um ser total, com seus desejos, expectativas, capacidades e dificuldades e como um ser inserido e em relação a um sistema maior: sua família, sua profissão, seus relacionamentos, seu meio cultural”.

“A angústia, frustração e sentimento de inadequação e incapacidade podem ser trabalhados e elaborados, à medida em que o indivíduo busque novas soluções e se disponibilize a enfrentar seus medos e sombras. É um tratamento que encontra dificuldades e barreiras, mas é possível e pode possibilitar uma nova perspectiva e outro olhar para essa época do ano, do fechamento de um ciclo, para o início do novo!” Fonte: http://www.redepsi.com.br/2011/12/13/refletindo-acerca-do-fim-de-ano/