Grupo Nanoita
As renas de St. Matthew

Sergio Mazurek Tebcherani

Doutor em Química pela UNESP

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Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, a Guarda Costeira dos EUA instalou nas ilhas de St. Matthew, no Alaska, um aparato para auxílio de navegação de longa distância.

A ilha de St. Matthew apresenta uma área de quase 357 km2. Em áreas comparativas, é equivalente aos municípios paranaenses de Planaltina do Paraná (356    km2), Santa Isabel do Ivaí (355 km2), Moreira Sales (353 km2) ou Realeza (353 km2).

A ilha desabitada de St. Matthew tem como bioma a tundra, típico de região fria e inóspita com vegetação esparsa e rasteira e que está a 320 km de distância da vila mais próxima do Alasca.

A ilha costuma ser coberta por uma camada de aproximadamente 10 cm de líquens.

Agora, retomando ao assunto do aparato para auxílio de navegação de longa distância, a Guarda Costeira americana manteve neste período 19 soldados permanentemente na ilha.

Por estarem em operação de guerra, soltaram na ilha 29 renas como fonte alternativa de alimento para aqueles soldados.

Com o fim da Segunda Guerra, os soldados foram retirados da ilha sem que tivessem sacrificado uma rena sequer.

Na teoria, o maior predador havia ido embora. Restaram então, as aves marinhas e seus predadores, as raposas árticas e mais as 29 renas com um banquete generoso de líquens no solo.

Em 1957, o biólogo Dave Klein contabilizou 1.350 renas, gordas e saudáveis. Para Klein, este foi o prenúncio de um desastre.

Em 1963, foram contadas 6.000 renas, porém, o porte desses animais havia diminuído em relação à visita anterior.

Em 1965, alguns caçadores desembarcaram na ilha de St. Matthew, mas encontraram dezenas de esqueletos de renas espalhados pela tundra.

Quando Klein voltou no verão de 1966, ele também encontrou a ilha coberta de esqueletos. Haviam agora 42 renas vivas, sendo 41 fêmeas e um macho, sem nenhum filhote. Durante alguns meses, a população de renas caiu 99%.

A suposição é que as renas passavam fome durante o inverno.

Na década de 1980, já não existia mais população das renas da ilha de St. Matthew.

A história da população de renas da ilha de St. Matthew é um exemplo de um ecossistema em desequilíbrio.

No artigo da próxima semana, mostraremos o paralelo que alguns pesquisadores estabeleceram entre a população de renas da ilha de St. Matthew com a população humana da Terra.

Por enquanto, só afirmamos que na ilha de St. Matthew restarem apenas as aves marinhas e as raposas do Ártico, como era no início.