Psicologia em pauta
Envelhecimento

Lílian Yara de Oliveira Gomes

 

CRP  08/17889

 

 

“Ao nascer começamos a envelhecer”...

Quantas vezes já ouvimos isso. É claro, que esse “envelhecimento” referido acima, não é tão verdadeiro assim. Passamos por diversas fases de desenvolvimento, em que vamos ganhando e não perdendo, no que se refere ao amadurecimento e à formação fisiológica e psíquica.

Até algumas décadas atrás, uma pessoa com 40 anos, era considerada “idosa”, se vestia de maneira austera, não se permitia ir a certos lugares, adotava com uma vida restrita.

“No Brasil a expectativa de vida tem aumentado cada vez mais. Em 2013, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a esperança de vida era de até 74,9 anos. À medida que a população está envelhecendo, o índice de natalidade está caindo, logo, há um aumento da população mais velha no país”.

“Na verdade, o que está em jogo na velhice é a autonomia, ou seja, a capacidade de determinar e executar seus próprios desejos. Qualquer pessoa que chegue aos oitenta anos é capaz de gerir sua própria vida e determinar quando, onde e como se darão suas as atividades de lazer, convívio social e trabalho (produção em algum nível) certamente será considerada uma pessoa saudável. Pouco importa saber que essa mesma pessoa é hipertensa, diabética, cardíaca e que toma remédio para depressão, ­ infelizmente uma combinação bastante frequente nessa idade. O importante é que, como resultante de um tratamento bem-sucedido, ela mantém sua autonomia, é feliz, integrada socialmente e, para todos os efeitos, uma pessoa idosa saudável”, nos orienta Luiz Roberto Ramos, do Departamento de Medicina, Centro de Estudos do Envelhecimento, Universidade Federal de São Paulo. (2002)

Aponta que “medidas de intervenção visando identificar causas tratáveis de déficit cognitivo e de perda de independência no dia-a-dia deveriam tornar-se prioridade do sistema de saúde, dentro de uma perspectiva de reestruturação programática realmente sintonizada com a saúde e o bem-estar da crescente população de idosos. O objetivo principal do sistema deve ser a manutenção da capacidade funcional do idoso, mantendo-o na comunidade, pelo maior tempo possível, gozando ao máximo sua independência”.

Nesse sentido, sabemos que nem sempre e principalmente na realidade brasileira isso se faz. As garantias aos idosos são colocadas em segundo plano, quando não “desrespeitadas”, pois, quanto abandono ocorre! E idosos, desrespeitados e/ou abandonados são muito suscetíveis a desenvolver enfermidade graves, tanto física como psiquicamente. Tornam-se “órfãos na velhice” e esse isolamento “aumenta em 14% o risco de morte” nos orienta a Universidade de Chicago- EUA.

Nos cabe alertar e esclarecer: se não tem um idoso no seu convívio, mesmo assim, seremos “um” algum dia (se não formos embora cedo). Por isso, tenhamos mais respeito aos mesmos, não utilizando os espaços que são seus por direito, dando aos mesmos as prioridades que tiveram que ganhar “por lei” e mesmo assim não são respeitadas, muitas vezes. E paciência e afeto, jamais poderão faltar, porque um dia poderemos sentir na “pele” essa frustração e abandono!