Psicologia em pauta
Filhos

Lílian Yara de Oliveira Gomes

 

Nessa semana fui questionada por uma paciente: “por que as crianças ao nascer são tão bonitinhas, queridinhas e depois se tornam tão difíceis de se lidar?”

 Quase todos nós chegamos a esse mundo como fruto de um amor, de um desejo, de um sentimento. Digo, “quase”, porque temos os filhos indesejados, resultado de relacionamentos abusivos, por exemplo. Porém, quantas expectativas, projetos e sonhos são colocadas ao se fazer a escolha por ter filhos.

“Ter filhos ajuda a aperfeiçoar-se principalmente no sentido em ser coerente entre  nossas  palavras e nossos comportamentos. Ser mãe é atingir o apogeu de nossa condição de mulher. Ser pai é mais que apenas acompanhar, mas ensinar e proteger. Dá trabalho, sim, porém tem junto o amor incondicional, o afeto espontâneo, o companheirismo.

Porém, a paternidade tem que ser responsável, atenta, presente, acompanhada. Nossos filhos passarão por fases que deverão ser percebidas por nós pais/mães para que os mesmos façam o desenvolvimento adequado a cada uma delas, no sentido tanto biológico como emocional.

“O desejo de ter filhos deve estar acompanhado da consciência de que serão muitos anos de dedicação total, muito amor e paciência, dificuldades financeiras e do esquecer-se de si mesmo. Filhos precisam de pais de verdade”.

“Quando uma criança é verdadeiramente amada por ambos os pais ela se torna um adulto firme, bom e amável e, provavelmente, quando ela tiver seus próprios filhos, os criará de uma maneira clara e ciente do desafio, segura de que é capaz de trazer mais uma pessoa importante para o mundo”.

A psicóloga Patrícia Spada, pós-doutoranda da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), explica que, muitas vezes, os parceiros acham que não vão conseguir dar o seu melhor para uma criança. "Muitos casais julgam que não terão tempo suficiente para garantir a qualidade da relação com o filho e seu desenvolvimento ou acham que não darão conta do recado”, explica.

 Para a psicóloga Sueli Castillo, ainda há o fator de que as mulheres da atualidade não se sentem mais obrigadas a ter filhos, como antigamente. “O ser humano apresenta condições de escolha, e nem sempre cumprirá os papéis que foram estabelecidos. A emancipação feminina acarretou liberdade e autonomia à mulher”.

E, devolvendo à minha paciente o seu questionamento, chegamos à conclusão de que nem sempre estamos preparadas(os) para dar conta das exigências que a nova geração traz consigo ao atingir uma certa idade, depois de “crescidos”. Vale atentar acerca da forma como impusemos os limites necessários à formação da personalidade de nossos filhos, como agimos e pela nossa ação, os mesmos, hoje estão fazendo modelo/espelho e pelos seus comportamentos, tornando-se “difíceis” para nós.

Alguns autores até apontam 10 motivos para ter e 10 para não termos filhos: 1) Realização pessoal; 2) Adorar crianças;3) Religião 4) Medo do futuro; 5) Vaidade ou orgulho; 6) Valores morais e éticos; 7) Realizar-se por meio dos sucessores; 8) Projeto de vida; 9) Amor incondicional; 10) Simplesmente quer.

E para não ter: 1) Crianças custam caro; 2) Parto é uma tortura; 3) Medo de não ser um bom pai ou mãe; 4) Priorizar a carreira; 5) Fim da vida sexual; 6) Evitar erros do passado; 7) Fim da vida social; 8) Pressão da família e dos amigos; 9) Ter atenção exclusiva do companheiro; 10) Simplesmente não quer.

 

Considero que todos esses “motivos” devem ser avaliados pelos casais.  “Quando o filho é demasiadamente protegido pelos pais, não aprende a lidar com desafios. Levando-se em conta a idade e a maturidade da criança, ela precisa aprender a agir por conta própria - só tem de ser orientada sobre como os conflitos podem ser resolvidos. Pais que fazem tudo pelos filhos não permitem que eles desenvolvam esse lado. Ao contrário, leva as crianças a sentirem receio diante de tudo e não terem iniciativa no futuro, nem desenvolvem autonomia, nem emancipação. E, ainda o diálogo apresenta-se como a ferramenta importante para sanar as dificuldades que poderão se apresentar nessa relação, tendo como “pano de fundo” o amparo essencial do amor, do afeto e do respeito.