Meus Escritos
FINADOS UMA REFLEXÃO

Vivemos em busca constante, de sucesso, fama, bens materiais e lugares altos no pódio, mas esquecemos, de valorizar as coisas, mais simples da vida. Esta rapidamente vai passando, e cada dia vivido, é um a menos em nossa conta final. Disso ninguém poderá escapar. É a dinâmica da existência humana.

         Mais uma vez, chegamos no Dia de Finados. Uma data cinzenta, onde o sorriso abre espaço para o choro e saudade. Quantos e quantas, nos deixam diariamente. Alguns de maneira precoce, outros tantos, com sua tarefa já cumprida, aqui neste mundo, em seus longos anos vividos intensamente.    

         A vida sempre, nos reserva surpresas, mas nem todas gostamos. Quando alguém, do nosso convívio, vai embora para sempre, o coração aperta, a boca seca, as lágrimas parecem brotar, do mais profundo abismo, da solidão.

         Independente, de sua crença, todos sabemos, que em lugar algum, está a promessa, de somente dias felizes, aqui na Terra. O sofrimento é “irmão gêmeo” de cada pessoa. Ele nasce junto, e ficará conosco, ao longo da caminhada, mesmo que a distância. Em algum momento, ele mostra toda a sua intensidade.

         Lembro agora, de todos aqueles(as), que perderam recentemente, pessoas que amavam. Jamais pensavam nesta situação, da presença e ausência. Tiveram de aprender a viver com o luto diário.

         Lembro daqueles acidentados. Saíram de carro ou moto, para não retornarem mais. Assim foi, com inúmeros jovens, adultos e até adolescentes, ao longo do ano.

         No início desta semana, o jovem que levantou, para trabalhar na construção civil, e sofreu aquele gravíssimo acidente, que sepultou, cada um de seus sonhos, deixando todos os familiares e amigos, em completo desespero. Fatos que não compreendemos como seres frágeis humanos.

         Ou daquelas vidas, ceifadas pela violência urbana. Moças e rapazes com tudo pela frente e atingidos pela maldade sem limites. Também daqueles(as), que cansados(as), de seus sofrimentos terrenos, partiram para a prática do suicídio. Simplesmente sem palavras.

         E como explicar estes fatos, aos pais e familiares dos desaparecidos? Não sabem, se quem buscam estão vivos ou mortos. Não possuem, um lugar específico para homenagear a quem amam. Contradições que chocam, mutilam as emoções e fragmentam a nossa mente.

         Os cemitérios vão ficar lotados de visitantes. Muitas flores, enfeitando os túmulos. As velas derretendo sua parafina em todos os cantos. Primeiro grandes em tamanho, depois restos de cera somente.

         Quantos e quantas, se tivessem a chance, perdoavam mais, amavam mais e cuidavam mais daqueles que amam. Mas de um instante para o outro, tudo é interrompido bruscamente, semelhante a uma luz que queima para a eternidade.

         Deus conforte a todos os tristes e abatidos nesta ocasião.