Sherlock Holmes Cultura
Libertem o homem forte

Cássio Murilo
Os pais são homenageados no mês de agosto

"Ensinei meus filhos a andarem de bicicleta do mesmo jeito: fixe num ponto, olhe para frente e vá! Deu certo" - conta Miguel entusiasmado. "Tive febre e fiquei doente de vontade de ter uma bicicleta. Quando meu pai chegou, com uma nas costas, sarei na hora" - narrou Elizeu, com lágrimas nos olhos. "Tatiana tirou 1º lugar no concurso de redação do colégio" - Adilson afirma, feliz. Jaime, pai recente, não falta às consultas do filho Benício, um ano. Na obra "Libertem a mulher forte", Clarissa Pinkola Estes narra histórias do feminino sagrado, corajoso e destemido, em episódios de fé e compaixão. E quem libertará o homem forte? Com tamanha dinâmica nas relações, papéis sociais e contextos culturais mesclando hábitos antigos com demandas atuais, o homem vem desempenhando igualmente novas atribuições, sem deixar de ser referência moral e de conduta para aqueles que vêm. Túlio confessou que do primeiro filho nunca trocou uma fralda sequer; do segundo, vinte anos mais tarde, perdeu as contas de tanto limpar, perfumar e cuidar. Quando as gêmeas eram pequenas, Álvaro punha nos ombros, uma de cada vez, apagava as luzes e brincava de "túnel escuro" pelos cômodos da singela habitação. Décadas mais tarde, as moças não têm medo de escuridão. Rogério liga para os filhos, no retorno previsto de cada viagem deles, insiste em velar pelas idas e vindas, guardião que conta e reza por quilômetros infindos. Marlon pública fotos da filhinha nas redes sociais, nunca sem mostrar abraços e afagos, carinhos, na pele marcados. Depois que o câncer do Jorge se alastrou, vieram-lhe feridas pelas pernas; Hélio, o genro, meticulosamente, remédios e curativos aplicou. E quem ousaria libertar o homem forte? Ele mesmo, cada vez que aprende a viver e a sentir o amor que conduz, cultura viva que irradia luz.