Grupo Nanoita
O início da história das pontes de hidrogênio

Sergio Mazurek Tebcherani

Doutor em Química pela UNESP

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No verão de 1611, um calor intenso atingiu a região da Toscana, na Itália. Diante disso, Galileo Galilei junto com seus colegas Vincenzo di Grazia e Giorgio Coresio, professores da Universidade de Pisa, começaram a divagar nas conversas sobre o frio. As ideias estavam relacionadas aos conceitos físicos de Aristóteles e também sobre conhecimentos de termodinâmica.

Por que o gelo, que é mais frio do que a água, armazena uma menor quantidade de calor? Por que quando a água passa ao estado sólido em baixas temperaturas há redução de densidade?

 O fiorentino Lodovico delle Colombe, forte combatente de Galileo, provou que bolinhos de ébano, ao serem colocados em água, não afundavam. Justificou que a flutuação de sólidos em líquidos era devido à forma da matéria, e não da densidade da matéria.

Mesmo que não conseguindo rebater o experimento do bolinho de ébano, Galileo acreditava que o fenômeno estava relacionado à interação entre partículas. Aí surgia o seu escrito “Discorso intorno alle cose che stanno in su l'acqua o che in quella si muovono” que era direcionado a Lodovico delle Colombe.

Este foi o primeiro livro da história que menciona a interação entre átomos, ou, mais especificamente, a ligação de átomos de hidrogênio.

A partir daí vários cientistas postularam sobre a interação entre os átomos, dentre vários, destaco Joseph Louis Proust, John Dalton, Lorenzo Romano Amedeo Carlo Avogadro, Gilbert Newton Lewis.

Recentemente, em 2012, Patrick Goymer, divulgou o artigo na Nature Chemistry intitulado “100 years of the hydrogen bond", afirmando que os estudos sobre as ligações de hidrogênio já completavam um século. Sua referência dizia respeito à publicação do trabalho realizado por Tom Sidney Moore e Thomas Field Winmill chamado de “The state of amines in aqueos solution” e que foi publicado em 1912.

O professor da Universidade da Califórnia, William C. Bray, reconheceu a importância dos estudos sobre as ligações de hidrogênio, realizados por seu aluno de graduação Maurice Huggins, porém, foi categórico ao afirmar que ele nunca iria convencer a comunidade química da ideia que um átomo de hidrogênio poderia se ligar simultaneamente a dois outros átomos.

Assim, o conceito da ligação de hidrogênio foi proposto pela primeira vez na literatura por Wendell Latimer e Worth Rodebush em 1920. Na publicação deste artigo, colocaram uma nota de rodapé conferindo os créditos do conhecimento ao Sr. Huggins que havia desenvolvido este estudo anos antes, mas que não veio a ser publicado.

Mas afinal, para que tanta história a respeito de uma ligação química? No próximo artigo do Grupo Nanoita, entenderemos a intimidade dessas “ligações” e o quanto elas são responsáveis pela vida na Terra.