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O primeiro Prêmio Nobel de Física

 

Daiane Maria De Genaro Chiroli

Doutora em Engenharia de Produção pela UFSC

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Por volta de 1900, a física era a ciência considerada mais importante para a época. Talvez seja por esse motivo que a física foi a primeira área que Alfred Nobel mencionou no seu testamento.

A cerimônia do Nobel de Física ocorreu na Academia Real de Ciências da Suécia, em Estocolmo, e foi concedido ao físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen.

Röntgen era filho de um tecelão e nasceu em 1845 em Lennep, na Alemanha. Quando tinha 3 anos mudou-se para Apeldoorn, na Holanda.

Sua primeira escola foi o Instituto de Martinus Herman van Doorn, em seguida, a Escola Técnica de Utrecht, de onde foi expulso acusado de fazer caricatura de um professore. Porém, ele sempre negou este fato.

Em 1865, pleiteava entrar para a Universidade de Utrecht, mas foi reprovado por um dos professores que haviam participado da sua expulsão na Escola Técnica de Utrecht.

Concluiu engenharia mecânica pela escola Politécnica de Zurique e, em 1869, já era doutor pela Universidade de Zurique, com a tese intitulada Studien über gase, que em alemão é Estudo sobre os gases.

Durante sua vida acadêmica foi conferencista e professor da Universidade de Estrasburgo, da Academia de Agricultura de Hohenheim, em Württemberg, da Universidade de Giessen, da Universidade de Würzburg e físico chefe da Universidade de Munique, por petição especial do governo da Baviera.

Como engenheiro mecânico, Röntgen interessou-se pela física quando era professor da Universidade de Würzburg, na Alemanha. Observou um fenômeno que lhe chamou a atenção ao fazer experimentos com um tubo de raios catódicos.

O tubo de raios catódicos fora inventado pelo inglês William Crookes, e já se sabia que alguns materiais emitiam luz quando expostos a raios catódicos. O aparato consistia de um tubo de vidro constituído de gás rarefeito, dentro do qual havia a condução de elétrons de um condutor metálico para outro quando se aplicava uma tensão de 15.000 volts.

Este experimento pode ser visto e manipulado no observatório astronômico de Los Angeles, na Califórnia e a entrada é gratuita.

Voltando a Röntgen, quando ele ligou o tubo, uma placa de bário que estava na posição de trás do experimento emitiu uma luz fluorescente. Quando ele desligou o tubo e a luz sumiu. Em vários ensaios diferentes, Röntgen colocou uma folha de alumínio e em seguida, um livro entre o tubo e a placa e mesmo assim, havia a presença da luz fluorescente na placa de bário.

Isto era sinal que, além dos raios catódicos, o tubo emitia uma outra radiação desconhecida. Chamou essa emissão de raios X. Antes de comunicar sua descoberta, fez um estudo mais aprofundado e, em um pouco mais de um mês, tinha elucidado este trabalho.

Usou a mão de sua esposa, Bertha, para realizar um experimento em que expôs, durante 15 minutos, o feixe de raios X de um lado e do outro lado uma chapa fotográfica. Após revelar a chapa, observou o contorno dos ossos da mão e, em 5 de janeiro de 1896, a imprensa divulgou a realização da primeira radiografia.

Em 1901, Wilhelm Conrad Röntgen foi contemplado com o primeiro Prêmio Nobel da Física, em reconhecimento à descoberta dos raios X.

Por ser extremamente tímido, ele se recusou a proferir o habitual discurso na cerimônia de aceitação do prêmio.