Meus Escritos
PROBLEMA COLETIVO

 

EMERSON PUGSLEY

 

         A muito tempo, temos sentido na própria pele, um sistema de transporte deficitário, em terras locais. Os motivos são diversos, entre estes, muita falta de vontade política, de inúmeras administrações, para que tivéssemos, empresas concorrentes. A população sem alternativas, precisa fazer verdadeiros milagres e peripécias, para conseguir locomover-se diariamente. Escrevo tais preocupações, faltando poucas horas, para mais um aumento da tarifa. Tudo subindo, menos o salário da população. Até conselho municipal foi formado, mas pouco mudou, o rumo da história final.

            Todos os dias, milhares de estudantes, trabalhadores e donas de casa, precisam de ônibus, pois tudo é longe. Nos diferentes bairros e vilas, até o centro da cidade, temos grandes e médias distâncias. Entre os diferentes terminais, o vai e vem é constante.

            Dos pequenos ônibus amarelinhos, até os grandes sanfonados, a população precisa ter a paciência redobrada. Em determinados horários, conseguir um ônibus, pode ser considerado, um verdadeiro milagre. Eu mesmo, já passei por situações assim. É de cansar e ficar com muita raiva, pois quem passa, pela garagem dos ônibus, observa muitos veículos parados “descansando”, enquanto os habitantes sofrem. Sem dizer, dos motoristas apressados e despreparados, que passam reto nos pontos, sem fazer a respectiva, parada obrigatória, deixando pessoas a mercê do nada. Ontem mesmo, vi tal cena na Comendador Miró. A passageira, só faltou jogar-se na frente do coletivo. Ainda bem, que neste caso, o motorista parou, no meio da rua, para ela poder embarcar.

            Eu mesmo, sou usuário do transporte coletivo, e percebo que algo, não caminha bem. É só passar, por uma lombada ou qualquer obstáculo, que sentimos, como se algo estivesse “arrebentando”, em nosso corpo. Resta perguntar: cadê os amortecedores? Ou melhor, a troca de veículos sucateados, por novos e mais modernos? Ou mesmo, a devida e necessária manutenção?

            A Cidade de Ponta Grossa, precisa acordar, para a questão do transporte coletivo. Chega de monopólio. É necessário, reunir lideranças, dialogar com a população, e então perceber, que o município cresceu demais, nestes últimos anos, e não poderia jamais, ficar nas mãos de uma só empresa. Compreendo a dinâmica capitalista, e os interesses que existem, mas não podemos ser “escravos do sistema de monopólio”.

            Em certa reportagem, observei a reclamação, de mais uma usuária, com respeito ao ponto de ônibus. O mesmo, ficava próximo de um muro, onde um cano de água molhava os usuários. Falar em transporte, é dar condições também para aguardar com qualidade o seu ônibus. Os nossos abrigos, foram mal planejados, pois em dias de chuva, é melhor não utilizá-los, pois pouco protegem. Sem dizer, nos bairros e vilas afastados, onde ônibus é artigo de luxo, principalmente a noite e finais de semana, como estamos carecas de ouvir reclamações.

            E os nossos terminais então? A cada ano, passam por alguma reforma, mas que a meu ver, nem aparecem na prática. Até hoje, não compreendo a lógica, de fazer o usuário subir escadas no Terminal Central, para então descer novamente na plataforma de embarque. Quanta falta faz a escada rolante. Depois de todo o investimento, a mesma foi largada no tempo para enferrujar.

            Aproveitando, gostaria apenas, de deixar uma crítica construtiva, pois no último dia 15 de Setembro, Aniversário da Cidade de Ponta Grossa, a tarifa poderia, ter sido cobrada pela metade, como já vimos em outros feriados. Mas o povão, teve de se virar nos 30, para deslocar-se, ou ir até o desfile comemorativo, com o valor da passagem integral. Eu também passei pelo mesmo dilema. Uma passageira então, rapidamente falou ao trocador: “Esta empresa não é de Ponta Grossa”.

            Senhores futuros administradores municipais, esta é a melhor hora, para repensarmos o problema coletivo urbano. Ao invés de “passe livre”, construam uma cidade livre. É para refletir e mudar atitudes, com toda a certeza. O nosso bolso e compromissos agradecem. Abraço aos leitores!