Sherlock Holmes Cultura
Turista imaginário

 

Divulgação
A beleza pitoresca das construções antigas

 


Andaria pelo centro da cidade. Ansiaria ver e conhecer prédios antigos, histórias contadas de tantas vidas, memórias que remontassem às passagens não esquecidas. Pelas calçadas o fio de tudo o que já existiu, de encontros e de partidas. Imaginaria quem nunca por aqui andou, se visse praças, monumentos, casas centenárias, o que pensaria? Nas fotos antigas um mesmo local, por vezes revisitado, registrado, fotografado. Em cada instante, formas e contornos que se alteram, um mundo a se metamorfosear. Não queria que tudo fosse novo outra vez, do anterior removido sem deixar vestígios. O mundo é como nossas vidas, como causos que se contam com o passar dos anos. De construções que marcam nas cidades a passagem do tempo. Imaginaria que os momentos aceleram e o que hoje existe se congela, capturado e integrado à linha do tempo. Quisera se preservar e registrar em si o que se anseia conservar. No senso comum uma ideia do pôr abaixo tudo o que pertence a um passado que já se foi. E o que dizer da possibilidade de evolução sem destruição? Os ambientes podem ganhar vida, alcançar diferentes usos, que ocupem a chance da transformação requerida. O ser humano também se recicla, assume atribuições que lhe desafia e propicia alçar em sabedoria, em aprendizagem e primazia. As cidades nos espelham como mirantes, nos revelam que somos como elas. Belas ou abandonadas, bem mantidas ou desmanteladas, todo o gosto que se aplica ou no desgosto que fustiga. Transformar o que estava largado à própria sorte requer trabalho, mais moroso e crasso ainda é ver não vingar a identidade, nas edificações urbanas, a vida sempre soberana quando erige do que se reintegrou. Se eu fosse turista em nossa cidade, além da paisagem, geografia exuberante na vegetação e nos capões reinantes, de enlevo me enterneceriam os prédios antigos, bem mantidos, no cenário a nos elevar.